
O Projeto Leitura, tem como objetivo vencer um dos maiores desafios encontrados pelos professores e amantes da literatura: Criar o hábito da leitura.

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Do papel à palma da mão
Além das 380 mil palavras que compõem a base do Volp e podem ser consultadas pelo celular, tablet ou computador, o site da ABL apresenta, na seção Nossa Língua, outras obras de referência coordenadas pela nossa Comissão
A biblioteca do TJDFT conta com mais de 20 mil livros - (crédito: Júlia Sirqueira C.B/D.A Press)
ARNALFO NISKIER, membro da Academia Brasileira de Letras
Como presidente da Comissão de Lexicologia e Lexicografia da Academia Brasileira de Letras, tenho bons motivos para comemorar. O setor conta hoje com uma rica gama de publicações, levadas a efeito dentro dos princípios mais modernos da lexicografia.
Começo falando do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, o Volp da ABL, obra que faz o registro da grafia oficial das palavras da língua portuguesa, com especial atenção a sua vertente brasileira, continuamente atualizada com base em extenso corpus de textos nacionais escritos em língua-padrão e nos avanços tecnológicos da análise e processamento de informações. Convém recordar certas particularidades de sua primeira edição, lançada em 1981, como destaquei na Apresentação da segunda edição, de 1998:
"Os seus 350 mil verbetes [...] foram abrigados em livros de excelente padrão gráfico, a partir de uma conversa mantida em Teresópolis (RJ), inspirada pelo inesquecível médico Noel Nutels, que me apresentou ao acadêmico Antônio Houaiss. Com o seu jeito expansivo, reclamou que nenhuma editora havia até então se interessado pelo 'trabalho patriótico' de Houaiss.
"De imediato, ofereci os préstimos de Bloch Editores e assim, em 1981, foi possível lançar a primeira edição do Volp, muito bem cuidada pelo zelo gráfico de Adolpho Bloch, que me disse com o seu jeito característico: 'Vou colocar no Vocabulário o melhor papel do mundo, um bíblia alemão que deixará saudades.' E assim foram feitos 20 mil exemplares, rapidamente esgotados pelo ineditismo da obra."
Passou-se o tempo e lançamos duas novas edições, a de 1998 e outra em 1999, durante minha gestão como presidente da Academia Brasileira de Letras. Seguiram-se outras, em 2004 e 2009, até que em 2021 lançamos a primeira edição exclusivamente digital, disponível no site da ABL, fruto dos esforços da equipe de Lexicografia e da equipe de Tecnologia da Informação da Casa.
Agora, ao lado dos Acadêmicos da Comissão de Lexicologia e Lexicografia, Antonio Carlos Secchin, Ricardo Cavaliere e Carlos Nejar, celebro também o sucesso do novo aplicativo digital do Volp, onze anos após o lançamento de sua primeira versão, em 2014. Até o momento, o novo app já teve 190 mil downloads para celulares iOS e 24,5 mil para Android. O aplicativo é gratuito e, para acessá-lo, não é preciso cadastro. Podemos dizer que o Volp está hoje na palma da mão.
Além das 380 mil palavras que compõem a base do Volp e podem ser consultadas pelo celular, tablet ou computador, o site da ABL apresenta, na seção Nossa Língua, outras obras de referência coordenadas pela nossa Comissão:
Vocabulário de Topônimos e Gentílicos — obra digital, inicialmente com 7.408 entradas, que reúne os nomes próprios designativos de lugares e seus respectivos gentílicos, isto é, o nome que indica a nacionalidade ou a naturalidade de alguém.
Com este Vocabulário, o público pode dirimir dúvidas relativas à grafia dos nomes de continentes, países, territórios, capitais e principais cidades do mundo, estados e capitais do Brasil, além de mais de cinco mil municípios brasileiros, conforme as normas que regem nosso sistema ortográfico. Consultando a obra, os que não sabem descobrirão, por exemplo, que quem nasce em La Paz, sede do Governo da Bolívia, é pacenho. Mas a capital constitucional do país é Sucre, que tem como gentílico sucrense.
Trata-se de um desdobramento do Vocabulário Onomástico da Língua Portuguesa, obra impressa — já esgotada — lançada pela ABL em 1999, quando fui presidente da Casa, em cumprimento à Lei 5.765 de 1971.
Vocabulário de Estrangeirismos — base de pesquisa lexical que abrange os vocábulos e expressões de origem estrangeira correntemente empregados em textos escritos no Brasil, com a grafia da língua de que provêm. Útil aos consulentes que desejam saber como se escrevem termos como cashback, cooler e voucher, provindos do inglês, sudoku e anime, do japonês, ou leitmotiv, do alemão.
ABL Responde — serviço de consultoria linguística que atende atualmente a 500 questionamentos mensais sobre língua portuguesa, enviados de todas as regiões do Brasil. O ABL Responde, implementado em 2007, já solucionou mais de 220.000 dúvidas desde a sua criação.
Dicionário da Língua Portuguesa (DLP-ABL) — dicionário on-line de acesso livre e gratuito. O DLP apresenta verbetes completos, enriquecidos com exemplos de uso de grandes nomes da literatura brasileira. Lançado em 2021, o dicionário é diariamente atualizado com novas entradas e contará no futuro com 200 mil itens.
Novas Palavras — compilação de neologismos, iniciada em 2020, que apresenta, nas redes sociais e no site da ABL, verbetes completos — com definição, classe gramatical e exemplos de uso — de palavras e expressões novas do português do Brasil que passaram a ter uso em textos escritos em língua-padrão nos últimos anos. Entre os 152 verbetes publicados até a presente data, figuram: criptomoeda, grafeno, mocumentário, pós-verdade, subcelebridade, gentrificação, capacitismo, nato-digital, logar e empoderamento. Trata-se de termos encontrados em jornais, livros, artigos, teses e dissertações de todo o país.
Observatório Lexical — projeto que relaciona palavras ou expressões novas da língua portuguesa que passaram a ocorrer com relativa frequência em textos escritos em norma-padrão do Brasil. Trata-se de uma primeira etapa de possível registro no Volp, em que se faz o estudo e pesquisa do vocábulo, de sua origem e formação, classificação gramatical, grau de circulação no âmbito da língua funcional, diversidade e tipos de fontes em que ocorre, alcance geográfico e significados. A presença de uma palavra neste rol é transitória e, apesar de não indicar obrigatoriamente registro futuro na seção Novas Palavras, no Volp ou no DLP, reflete a riqueza da língua como instrumento de comunicação do nosso povo.
Desafio Ortográfico — atividade on-line lúdica e educativa, desenvolvida para que o público possa fixar a grafia oficial das palavras, especialmente aquelas modificadas pelo Acordo Ortográfico de 1990, conforme estão registradas no Volp. O Desafio está disponível no site da Academia e é atualizado regularmente.
Acreditamos que a iniciativa de trazer à luz estas publicações presta bom serviço a professores, alunos e leigos interessados nesses gêneros de estudos e estreita ainda mais o vínculo do público com esta Casa de cultura.
O infanticídio era, de facto, uma prática comum na Antiguidade Clássica, sendo especialmente documentada na Grécia e Roma antigas. Em Esparta, por exemplo, crianças consideradas disformes ou fracas eram frequentemente mortas.
Na Roma antiga, o pai tinha poder absoluto sobre a vida de seus filhos. Ao nascer, a criança era colocada aos pés do pai, e se este a levantasse, significava que a aceitava como filho e garantia sua vida. Caso contrário, a criança poderia ser abandonada ou morta.
É importante notar que o infanticídio não era considerado um crime na maioria dos casos. Como afirma o historiador Gregory Hanlon, "Na maioria dos casos, o infanticídio era um crime que não deixava nenhuma parte ofendida ou em busca de vingança". Esta prática era tão comum que, em algumas regiões da Itália no século XVII, as vítimas podem ter constituído até um terço do número total de crianças nascidas vivas.
No entanto, é crucial mencionar que evidências arqueológicas recentes sugerem que o infanticídio pode não ter sido tão generalizado ou aceito em todas as partes da Grécia antiga quanto se pensava anteriormente.
Na legislação de Justiniano I, o tratamento do infanticídio sofreu uma mudança significativa em relação às práticas anteriores. Com a influência do Cristianismo, o infanticídio passou a ser considerado um crime grave, punido com penas severas. O infanticídio, que antes não era necessariamente considerado um crime, passou a ser explicitamente criminalizado. A legislação de Justiniano previa punições rigorosas para aqueles que praticavam o infanticídio. O infanticídio passou a ser tratado de forma similar ao homicídio, refletindo uma mudança na valorização da vida do recém-nascido. A legislação de Justiniano marcou o fim do direito de vida e morte que o pater familiae (pai de família) tinha sobre seus filhos no direito romano anterior.
Estamos nos aproximando do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, que simboliza a luta das mulheres por igualdade e contra a discriminação de gênero. Aproveitei os dias de carnaval para descansar e refletir, e me lembrei de uma situação em que me senti profundamente discriminada por ser mulher. Na ocasião, eu atuava como consultora e liderava a prática de organização, que envolvia atividades de gestão. Um cliente entrou em contato para revisar sua governança e sucessão, além de discutir práticas de gestão. Fui indicada como ponto de contato por liderar a prática. No entanto, após alguns dias, o potencial cliente contatou um sócio meu e disse que queria realizar o projeto com a firma, mas não comigo, alegando que, por eu ser mulher, não acreditavam que eu conseguiria realizar o trabalho. O cliente era um diretor de RH, e a recomendação negativa veio de uma conselheira do comitê de pessoas. Fico pensando na vida difícil que essa mulher deve ter tido para pensar assim sobre outra mulher. Nunca imaginei que a maior discriminação de gênero viria de uma mulher. No final, o cliente decidiu prosseguir com o projeto comigo, mas eu me recusei e indiquei outro sócio da firma. Não estou advogando por um lado ou outro, mas sim pela equidade, para que as pessoas sejam julgadas por suas capacidades e não por estereótipos. Essa situação é, sem dúvida, uma reflexão importante.Estamos nos aproximando do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, que simboliza a luta das mulheres por igualdade e contra a discriminação de gênero. Aproveitei os dias de carnaval para descansar e refletir, e me lembrei de uma situação em que me senti profundamente discriminada por ser mulher. Na ocasião, eu atuava como consultora e liderava a prática de organização, que envolvia atividades de gestão. Um cliente entrou em contato para revisar sua governança e sucessão, além de discutir práticas de gestão. Fui indicada como ponto de contato por liderar a prática. No entanto, após alguns dias, o potencial cliente contatou um sócio meu e disse que queria realizar o projeto com a firma, mas não comigo, alegando que, por eu ser mulher, não acreditavam que eu conseguiria realizar o trabalho. O cliente era um diretor de RH, e a recomendação negativa veio de uma conselheira do comitê de pessoas. Fico pensando na vida difícil que essa mulher deve ter tido para pensar assim sobre outra mulher. Nunca imaginei que a maior discriminação de gênero viria de uma mulher. No final, o cliente decidiu prosseguir com o projeto comigo, mas eu me recusei e indiquei outro sócio da firma. Não estou advogando por um lado ou outro, mas sim pela equidade, para que as pessoas sejam julgadas por suas capacidades e não por estereótipos. Essa situação é, sem dúvida, uma reflexão importante.Estamos nos aproximando do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, que simboliza a luta das mulheres por igualdade e contra a discriminação de gênero. Aproveitei os dias de carnaval para descansar e refletir, e me lembrei de uma situação em que me senti profundamente discriminada por ser mulher. Na ocasião, eu atuava como consultora e liderava a prática de organização, que envolvia atividades de gestão. Um cliente entrou em contato para revisar sua governança e sucessão, além de discutir práticas de gestão. Fui indicada como ponto de contato por liderar a prática. No entanto, após alguns dias, o potencial cliente contatou um sócio meu e disse que queria realizar o projeto com a firma, mas não comigo, alegando que, por eu ser mulher, não acreditavam que eu conseguiria realizar o trabalho. O cliente era um diretor de RH, e a recomendação negativa veio de uma conselheira do comitê de pessoas. Fico pensando na vida difícil que essa mulher deve ter tido para pensar assim sobre outra mulher. Nunca imaginei que a maior discriminação de gênero viria de uma mulher. No final, o cliente decidiu prosseguir com o projeto comigo, mas eu me recusei e indiquei outro sócio da firma. Não estou advogando por um lado ou outro, mas sim pela equidade, para que as pessoas sejam julgadas por suas capacidades e não por estereótipos. Essa situação é, sem dúvida, uma reflexão importante.
Correio Braziliense, 22/02/2025
Edileuza Penha de Souza, mulher negra, ativista na luta pela igualdade de gênero e raça, professora e cineasta.
No bairro rural de Cariacica (ES), meninos e meninas da Banda de Congo Mirim de Roda d’Água encontram sua voz no couro dos tambores, despertando a força de seus ancestrais em cada toque, em cada repique.
Nos verdes vales de Roda d'Água, bairro rural de Cariacica, no Espírito Santo, onde a terra guarda memórias antigas, os tambores de Congo ressoam como corações pulsantes, ecoando histórias que o tempo jamais apagará. Entre montanhas e nascentes, no ventre das águas, meninos e meninas negras encontram sua voz no couro dos tambores, despertando a força de seus ancestrais em cada toque, em cada repique.
Tamborizar é mais que um projeto, é um chamado, um rito de passagem no qual a infância se veste de tradição e a juventude se reconhece na batida do passado. No compasso dos tambores, cada criança se descobre herdeira de um legado que atravessa o oceano, de África a Roda d'Água, dos quilombos aos terreiros, das festas aos cortejos sagrados.
Quando os tambores de Congo anunciam sua presença, o chão vibra, os corpos dançam e as vozes elevam-se em cantigas que narram resistências. São histórias vivas que se entrelaçam nas festas de Nossa Senhora da Penha, quando as bandas de Congo se unem em um espetáculo de cores e movimento para celebrar o carnaval de Congo. A festa ocorre no dia de Nossa Senhora da Penha, padroeira oficial do Espírito Santo, organizada pelas bandas de Santa Isabel de Roda d'Água, São Benedito de Piranema, São Benedito de Boa Vista e São Sebastião de Taquaruçu. Juntas e recebendo outras bandas do Estado, elas fazem do encontro um portal em que passado e presente se fundem, e a memória se faz corpo e som.
Nesse chão, a pesquisa etnográfica encontrou raízes profundas, alimentadas pelo orgulho e pela ancestralidade. O Tamborizar floresceu como um jardim de saberes, desbravando caminhos para que a história e a cultura dos tambores entrem nas escolas, nas salas de aula e nos múltiplos ambientes sociopedagógicos, para que o toque seja lição e a batida, aprendizado. Pois ensinar a partir dos tambores de Congo é resgatar a dignidade, é reafirmar que a pele negra é repositório de força, de beleza, de identidade.
No livro que nasce desse projeto, as palavras são chamados que ecoam a Lei federal nº 10.639/2003, convocando a escola para uma educação plural, em que a cultura afro-brasileira não seja apenas lembrada, mas vivida. Essa lei, sancionada há 22 anos, torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas, promovendo o reconhecimento da contribuição dos povos africanos para a formação social, econômica e cultural do Brasil.
Ao garantir que a ancestralidade negra seja incorporada nos currículos escolares, a lei busca combater o racismo estrutural e fortalecer a identidade das crianças negras e, ao mesmo tempo, proporcionando a todas uma diversidade e pluralidade necessárias à criação de um mundo mais justo e fraterno. Entre as páginas do livro, crianças, adolescentes e adultos encontram possibilidades de aguçar a imaginação e de escutarem os sons que vêm de longe e que agora pertencem a eles, devolvendo-lhes o sentido de pertencimento.
Tamborizar é resistência, é reexistência. É o rito que transforma, o som que acorda a alma, a memória que se faz viva no corpo de quem toca, dança e aprende. Em Roda d'Água, os tambores seguem tocando, e cada batida é um passo para o futuro, onde a cultura negra segue forte, presente e inapagável, como o eco dos tambores que nunca cessam de chamar.
Patrocinado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, FAC/DF, o livro foi entregue a todas as bibliotecas do DF. Ele conta com os dispositivos de acessibilidade: impressão em braile (disponíveis na Biblioteca Nacional, na Biblioteca Braille Dorina Nowill, em Taguatinga, e no Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais, CEEDV, na 612 Sul) e, em breve, poderá ser ouvido como audiolivro, garantindo que pessoas com deficiência visual ou outras necessidades específicas possam ter acesso ao seu conteúdo de forma inclusiva.