A Brasília que não lê

Quem são esses brasileiros analfabetos residentes no DF?

Leia Mais

Projeto Leitura

O Projeto Leitura, tem como objetivo vencer um dos maiores desafios encontrados pelos professores e amantes da literatura: Criar o hábito da leitura.

Leia Mais

Projeto LEF

Projeto LEF Confira artigos, trabalhos, Vídeos, Fotos, projetos na seção do Letramento no Ensino Fundamental.

Leia Mais

Caixas de supermercado são um ambiente propício a desentendimentos e até brigas. Talvez as pessoas cheguem ali, depois  da navegação pelas gôndolas e do susto com os preços,  sempre crescentes, já com pouca paciência.

Há uma semana, estava eu com o carrinho cheio de compras  ancorada na fila de atendimento prioritário, quando chega uma moça, com dois  itens de compra e me diz : “Este não é o caixa para carrinhos cheios’. Expliquei a ela, com calma, que o critério ali era a quantidade de anos já vividos e não de mercadorias compradas e lhe mostrei o caixa rápido.  Ela se afastou contrariada.

Hoje foi pior. Estava eu novamente  aguardando minha vez no caixa de prioridades, quando se  aproximou uma senhora e me pediu para olhar o carrinho dela, enquanto ela ia buscar   alguma coisa que  precisava incluir nas compras.  Fui avançando devagar para o caixa, puxando também o carrinho da tal senhora, para que ela não perdesse o lugar na fila, bem atrás de mim.

Eis então que chega uma outra senhora.  Entrou na fila e alguém lhe disse que o segundo carrinho não era meu. Expliquei que estava  temporariamente  cuidando dele. Retorna, então a dona do carrinho sob meus cuidados. Mas a senhora  recém-chegada se contrariou. _ “O meu carrinho já estava aqui, esteve aqui do lado todo o tempo.

_ “Não estava não,  ponderou a outra”.

_ Você está dizendo que eu estou mentindo ? Que meu carrinho não estava aqui? Eu processo você por calúnia. “

Eu continuava  no meu posto na fila, ouvindo-as. Eu e muitas pessoas que também estavam prestando atenção à briga.

Ambas as mulheres olhavam para mim, solicitando  uma palavra ou mesmo um gesto de aquiescência, de apoio, uma espécie assim de voto de Minerva , já que eu havia chegado ao local antes delas e, teoricamente, teria testemunhado  os fatos, ou seja, haveria de saber qual carrinho  estava na pole position.

Como boa mineira, permaneci calada e  dei de ombros, para que elas entendessem que  eu não ia tomar partido.  Até pensei em ponderar que estávamos na véspera do dia das mães e que seria bom que a paz pudesse reinar.  Mas fiquei quieta. Aí uma delas , mais exasperada, disse  à outra . “Vou deixar a senhora ficar na frente, mas só porque é mais velha do que eu.

Nada pode  aborrecer tanto uma mulher que ser chamada de velha.

_ Eu não sou velha, mas eu estou doente. Estou muito doente. “

Nesse momento o caixa ao lado  se abriu e me chamaram para  iniciar outra fila. Daí não vi o final da altercação.  Paguei, peguei minhas compras e fui para o estacionamento, pensando na aguerrida  natureza humana.  

Brasília, 8 de maio de 2015

 

Add comment

Security code
Refresh

Uma palavra depois da outra


Crônicas para divulgação científica

Em 02 de Setembro de 2017, chegamos a 4855 downloads deste livro. 


:: Baixar o e-book para ler em seu Macintosh ou iPad
:: Baixar PDF


Novos Livros

Perfil

Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

Leia Mais

Publicações

Do Campo para a cidade

Acesse:

 

Pesquisar