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'Papai, todo mundo morre?'

  Adams Carvalho/Folhapress  
 

23/07/2017  02h00

Não dá pra dizer que a pergunta me pegou de surpresa. Temia por este momento desde muito antes de ter filhos, desde que percebi, ainda na adolescência, que tinha tão pouca fé em qualquer faixa bônus para além da última diástole quanto coragem para transmitir a má notícia a uma criança.

O que eu ia falar quando chegasse a hora? "Veja, meu filho, a vida é uma improbabilidade absurda decorrente de fenômenos físicos e químicos aleatórios controlados por nada ou ninguém e a consciência, isso que chamamos de 'eu', nada mais é do que uma tempestade de descargas elétricas e liquidinhos entre neurônios; quando a gente morre desliga-se a chave geral, fecham-se as comportas, a consciência desaparece e o nosso corpo é comido por vermes e bactérias. Toma, lê aqui 'A Origem das Espécies' e 'Memórias Póstumas de Brás Cubas'." Não. Não ia rolar.

O medo daquele instante, contudo, não me levou a pensar numa estratégia, a elaborar um discurso, a gastar cinco minutos numa das 20 visitas ao pediatra para pedir um conselho. Já havia quatro anos que os deliciosos circuitos neuronais mais conhecidos como Olivia estavam entre nós, dois e meio que as sinapses do Daniel vinham nos dando o ar de suas graças e mesmo assim fui pego absolutamente desprevenido, ralando um queijo sobre a sopa de ervilhas, na hora do jantar: "Papai, todo mundo morre?"

A pergunta, como você há de ter percebido, chegou enviesada, prenhe da resposta que a Olivia gostaria de ouvir: "Não, filhota, imagina! Só morrem umas pessoas nada a ver, gentios ou infiéis que a gente nem conhece, além dos peixes, galinhas, porcos e bois das refeições. Eu, você, o Dani, a mamãe, a família, os amigos e todo o Grupo 2 e 3 da escola vamos viver pra sempre, relaxa e come aí a sua sopa".

Sem saber como sair da enrascada, resolvi apelar para a verdade: "Sim, Olivia, todo mundo morre". Infelizmente, como sói acontecer, a verdade não foi muito bem recebida. "Mas eu não quero morrer, papai! Eu não quero morrer!". Pensei melhor no assunto e resolvi mentir um pouquinho: "Minha filha, a gente só morre quando fica muito, mas muito, muito velho". "Então a bisa Augusta vai morrer! Ela é muito, muito, mas muito velha!".

Já que eu estava com a ficção pelas canelas, decidi mergulhar de vez: "Não, Olivia. A bisa Augusta é jovem, ela ainda tá com 97, só morre muuuuuuito mais velha do que isso".

Servi a sopa. Olivia ficou encarando as ervilhas com uma concentração shakespeariana. Cada bolinha verde, uma caveira de Yorick. Então ergueu os olhos, séria. "Papai, na minha classe, no Grupo 3, tem um menino que chama Baltazar". Tremi nas bases. Iria ela me dizer que a mãe do Baltazar, do Grupo 3, tinha morrido? O pai? A mãe E o pai? O próprio Baltazar? Como eu iria explicar que tinha mentido, que a vida era isso aí mesmo, uma barafunda inglória em que crianças morrem, bandidos viram presidentes e CEOs, poetas passam fome e o Gugu Liberato nada em milhões? "O Baltazar, do Grupo 3, papai... Ele levou de lanche, outro dia, uma mexerica sem caroço!".

"É mesmo, Olivia?! Uma mexerica sem caroço?! Que legal! Eu vou comprar pra você uma mexerica sem caroço! E melancia sem caroço! E uva sem caroço! Vamos encher essa casa de fruta sem caroço, eu prometo!". Abracei cada um deles bem forte, entreguei as colheres de sopa e me escondi atrás da geladeira, onde dei uma chorada rápida antes de voltar com os guardanapos. 

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CLUBE DE LEITURA

LIVROS LIDOS            2011 a 2017

 

 

DATA

LIVRO              AUTOR

ANFITRIÃO (Ã)

  1. 25/4/2011-

Reunião de inauguração

Lucília Garcez

  1. 30/5/2011 

Amor sem fim – Ian McEwan

Luz Maria

  1. 27/6/2011 

Nada a dizer – Elvira Vigna

Dulce

  1. 25/7/2011

Um erro emocional – Cristovão Tezza

Em alguma parte alguma – Ferreira Gullar

Renata

  1. 29/8/2011

Cidades Invisíveis – Ítalo Calvino

Lucília Garcez

  1. 21/9/2011

Desonra – Coetzee

Nicolas

  1. 31/10/2011

Balzac e a costureirinha chinesa – Dai Sijie

Clara

  1. 28/11/2011

A humilhação – Philip Roth

Fátima e Wilson

  1. 19/12/2011

Cidade Livre – João Almino

Lucília Garcez

10.  30/1/2012

Uma criatura dócil – F. Dostoievski

Lucília Garcez

11.  27/2/2012

De verdade – Sándor Márai

Cristina

12.  27/3/2012

A lebre com olhos de âmbar – Edmund Waal

Márcia

13.  24/04/2012

Minha mãe se matou sem dizer adeus – Evandro Affonso Ferreira

Claudine

14.  28/5/2012

Todas as nossas lembranças – Natália Ginzburg

Cleusa

15.  25/6/2012

No teu deserto – Miguel Sousa Tavares

Ana Maria

16.  30/7/2012

Romanceiro da Inconfidência – Cecília Meireles

Nicolas

17.  27/8/2012

Travessuras da menina má – Mario Vargas Lhosa

Lilian

18.  24/9/2012

O arroz de Palma – Francisco Azevedo

Vera

19.  29/10/2012

Avenida Niévski – Nikolai Gógol

Pedro Páramo – Juan Rulfo

Auxiliadora

20.  27/11/2012

Os enamoramentos – Javier Marías

Clara

21.  28/1/2013

Trem Noturno para Lisboa – Pascal Mercier

Margarida

22.  25/2/2013

Os malaquias – Andrea Del Fuego

Alberto

23.  25/3/2013

Lavoura Arcaica – Raduan Nassar

Elisabeth

24.  29/4/2013

O Retorno – Dulce Cardoso

Nicolas

25.  27/5/2013

Aprender a rezar na era da técnica – Gonçalo Tavares

Dulce

26.  24/6/2013

Infância – Graciliano Ramos

Renata

27.  29/7/2013

Rimas da vida e da morte – Amós Oz

Lilian

28.  27/8/2013

Ópera dos mortos – Autran Dourado

Lucília Neves

29.  30/9/2013

Boca do Inferno – Ana Miranda 

Luz Maria

30.  29/10/2013

Bom dia para nascer – Otto Lara Resende

Clara

31.  26/11/2013

Divórcio – Ricardo Lísias

Rebeca

32.  18/12/2013

Cem anos de solidão – Gabriel García Márquez

Lucília Neves

33.  27/01/2014

Desejo  — Elfried  Jelinek

Roberto

34.  24/02/2014

O silêncio das montanhas — Khaled Hosseini

Dulce

35.  31/3/2014

A máquina de fazer espanhóis – valter hugo mãe

Nicolas

36.  5/5/2014

Teoria Geral do Esquecimento – Eduardo Agualusa

Tânia

37.  2/6/2014

O estrangeiro -  Albert Camus

Wilson

38.  30/6/2014

Caderno de um ausente, João Carrascoza

Carlota

39.  1/8/2014

Amor de novo – Doris Lessing

Renata

40.  1/9/2014

Nu, de botas – Antônio Prata

Claudine

41.  29/9/2014

Viva o povo brasileiro – João Ubaldo Ribeiro

Lilian

42.  27/10/2014

A primeira história do mundo- Alberto Mussa

Rebeca

43.  01/12/2014

O Túnel - Ernesto Sábado

Cleusa

44.  07/01/2015

Reprodução - Bernardo Carvalho

Clara

45.  26/01/2015

Anel de vidro - Ana Luiza Escorel

Renata

46.  23/2/2015

Sonata a Kreutzer - Tolstoi

Lucilia Neves

47.  23/3/2015

A máquina fantástica ( A invenção de Morel) - Adolfo Bioy Casares

Claudine

48.  04/5/2015

O homem que amava os cachorros-Leonardo Padura

Nicolas

49.  25/5/2015

Noturno do Chile - Roberto Bolaños

Dulce

50.  29/6/2015

Ilhas,veredas e buritis -Eliane Lage

Lucília Garcez

51.  27/7/2015

Manuelzão e Miguilim – Guimarães Rosa -

Ana Maria, Milza, Lucia, Marcia Le Calmon

52.  31/8/2015

O chalé da Memória – Tony Judt

Stella

53.  28/9/2015

Hamlet - Shakespeare

Klotz, Fernando, Vera Malta, Vera Americano – Rio Bistro

54.  26/10/2015

Mal-entendido em Moscou – Simone de Beauvoir

Rebeca

55.  23/11/2015

Hibisco Roxo- Chimamanda Ngozi Adiche

Marcele

56.  14/12/2015

A trégua – Mario Benedetti

Clara

57.  25/1/2016

Festa no covil – Juan Pablo Villalobos

Margarida

58.  29/2/2016

Ulisses- James Joyce

Cleusa

59.  28/3/2016

Luna Caliente – Mempo Giardinelle

Stella

60.  25/4/2016

A herdeira – Henry James

Lucília Garcez

61.  30/5/2016

Dois irmãos – Milton Hatoum

Maria Luiza

62.  27/6/2016

A hora dos ruminantes – J.J. Veiga

Wilson

63.  25/7/2016

Madame Bovary – Gustave Flaubert

Renata

64.  29/8/2016

O tronco – Bernardo Elis

Visconde

65.  26/9/2016

A história dos meus dentes – Valéria Luiselli

Luz Maria

66.  31/10/2016

O céu de Lima – Juan Gómez Bárcena

Dulce

67.  28/11/2016

Liturgia do fim – Marilia Arnaud

Clara - Nicolas

68.  19/12/2016

Enclausurado – Ian McEwan

Claudine

69.  23/01/2017

A morte em Veneza – Thomas Mann

Margarida

70.  20/02/2017

Pergunte ao pó – John Fante

Klotz, Simone, Teófilo,Vera M, Vera A. Rio Bistro

71.  27/03/2017

A lua vem da Ásia – Campos de Carvalho

Marcele

72.  24/04/2017

Os meninos da rua Paulo  - Ferenc Molnár

Lucília Garcez

73.  29/05/2017

Memórias de Adriano – Marguerite Yourcenar

Rebeca- Escola quântica

74.  26/06/2017

Nossas noites – Kent Haruf

Cleusa

75.  24/07/2017

A consciência de Zeno – Ítalo Svevo

Renata

76.   

 

 

 

 

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Como a humanidade visitou a Lua há 48 anos?

POR SALVADOR NOGUEIRA

No dia 20 de julho de 1969, exatos 48 anos atrás, pela primeira vez uma espaçonave tripulada pousava na superfície da Lua. Apenas algumas horas após a alunissagem, Neil Armstrong e Buzz Aldrin se tornariam os primeiros humanos a caminhar sobre outro corpo celeste. Estava provado que a humanidade podia mesmo visitar outros mundos e não estava limitada a seu planeta de origem.

Após a Apollo 11, outras cinco missões tripuladas realizariam pousos na Lua, entre 1969 e 1972. Depois disso, contudo, ninguém mais voltou lá. Como esta jornada incrível foi acontecer e por que não se repetiu até hoje? Seria assunto para um livro inteiro, mas não temos todo esse tempo agora. Então, em comemoração ao 48° aniversário da histórica missão, o Mensageiro Sideral traz apenas um (longo) resumo da ópera.

No mais novo episódio de CONEXÃO SIDERAL, Buzz Aldrin relembra momentos da jornada. E, logo após o vídeo, confira a incrível história de como humanos pela primeira vez deixaram nosso planeta para fazer a viagem até a Lua. E, para os bravos guerreiros que chegarem até o final do texto, algumas respostas para perguntas comuns sobre as famosas missões que, sim, real e indiscutivelmente aconteceram.

 

Cinco provas da ida do homem à Lua
Mais cinco provas da ida do homem à Lua
Apollo, a coleção completa de fotos

A IDEIA (1961)

No começo da década de 1960, os Estados Unidos estavam num duelo global pela supremacia geopolítica contra a União Soviética. Um dos aspectos essenciais dessa disputa consistia em provar superioridade tecnológica, e a conquista do espaço se tornaria uma bandeira crucial. No começo, os EUA estavam tomando uma lavada. O primeiro satélite artificial (Sputnik 1, 1957), o primeiro animal no espaço (Laika, no Sputnik 2, em 1957) e o primeiro homem em órbita (Yuri Gagarin, na missão Vostok 1, em 1961) foram todos russos. O presidente americano John F. Kennedy havia sido eleito justamente após o efeito Sputnik, acusando os EUA de estarem atrás dos russos em tecnologia de foguetes e mísseis. Quando a lavada parecia não ter fim, ele se reuniu com a chefia da recém-fundada Nasa para discutir que projeto de longo prazo estaria suficientemente distante e fosse tão desafiador que permitisse aos americanos chegarem à frente dos russos. A sugestão foi o envio de astronautas à Lua.

O CAMINHO TECNOLÓGICO (1962-1967)

Hoje, essa história não é contada com frequência, o que deixa a impressão de que a missão Apollo 11 nasceu do nada em 1969, como se tirada da cartola. Isso até pode encorajar pessoas a pensarem que ela foi uma fraude ou de algum modo não aconteceu como se conta. Mas qualquer um que resolva pesquisar a trajetória completa do programa espacial americano — e soviético — não terá dúvidas de sua veracidade.

Quando Wernher von Braun e sua equipe começaram a trabalhar nos planos para ir à Lua, ainda em 1961, enumeraram todas as tecnologias requeridas para ir até o solo lunar e voltar, com um plano adequado para executá-las. Seria preciso demonstrar que humanos poderiam trabalhar no espaço, dentro e fora de suas espaçonaves, que era possível se encontrar com uma outra espaçonave em órbita, acoplar-se a ela e manobrar de forma bem-sucedida para trocar de órbita e realizar a viagem da Terra à Lua.

Cada uma dessas etapas teria de ser completada antes que se chegasse a uma missão lunar completa, e para isso se prestaram os projetos Mercury e Gemini. As pequenas cápsulas Mercury, que voaram entre 1961 e 1963, só abrigavam um astronauta e, ao longo de seis missões, demonstraram que humanos podiam trabalhar bem a bordo de suas espaçonaves.

Os russos fizeram o mesmo com suas missões Vostok, que ainda tinham grande vantagem tecnológica sobre as Mercury. Os russos pretendiam concorrer pela conquista da Lua e para isso iniciaram também a formulação de seus planos. Mas só chegaram aos elementos do design, o projeto secreto L3-N1, dois anos depois dos americanos, em 1963. Nas pranchetas, graças ao arrojo de Kennedy em lançar e aprovar rapidamente um projeto de grande magnitude, eles já não tinham mais a dianteira. Mas, na realidade, pareceram manter vantagem até 1965, quando o cosmonauta Alexei Leonov realizou a primeira caminhada espacial da história, com a nave Voskhod 2.

Imagem da primeira caminhada espacial da história, feita por Alexei Leonov em 1965 (Crédito: FAI)

Contudo, a Voskhod, que era só uma versão mais caprichada da Vostok, não havia sido pensada com o desafio lunar em vista e tinha uma série de limitações. Nesse sentido, era bem diferente das cápsulas Gemini americanas, que foram projetadas justamente para dar suporte ao Projeto Apollo de conquista lunar.

Voando entre 1965 e 1966, as Geminis levavam dois astronautas em cada missão e testaram todas as tecnologias requeridas para a chegada à Lua. Além de equiparar a capacidade soviética de realizar caminhadas espaciais, as Geminis, ao longo de dez voos tripulados, foram as primeiras a realizar encontros, manobras de aproximação e acoplamento, além de voos de duração similar à requerida para a ida à Lua — mas tudo em órbita terrestre.

Em paralelo, todos os sistemas para o projeto Apollo estavam sendo desenvolvidos — dentre eles o foguete Saturn V. Os russos tinham seu próprio foguetão, o N1, e a espaçonave L3 era basicamente um módulo de pouso lunar acoplado a uma versão do que viríamos a conhecer como as naves Soyuz. A corrida entre os dois países estava em ritmo acelerado, mas só os russos realmente sabiam disso — os planos soviéticos eram mantidos em segredo na época, e as únicas pistas que os americanos tinham deles eram fotografias tiradas por satélite das plataformas de lançamento russas.

Não por acaso, essa época de pesquisa e desenvolvimento intensa foi a que consumiu mais dinheiro. O ano em que a Nasa gastou mais foi 1966, em que o orçamento chegou perto de 5% do total gasto pelo governo americano em todos os setores — uma fábula. Em dólares de hoje, seria algo como 45 bilhões. A Nasa de hoje, claro, gasta bem menos — cerca de US$ 19 bilhões por ano, correspondente a menos de 0,5% do orçamento total americano –, e isso ajuda a explicar por que o sucesso da Apollo jamais foi replicado.

E, claro, para os conspiracionistas, não custa lembrar que daria para fazer uma fraude por muito menos que US$ 45 bilhões. Mas esse não foi o único custo pago para a chegada à Lua. Houve vidas em risco também.

OS ERROS (1967)

Russos e americanos estavam numa corrida frenética. Não havia prêmio para o segundo colocado. Isso naturalmente seria a receita perfeita para uma tragédia. E ela aconteceu — dos dois lados.

Em 1967, os americanos já tinham uma suave dianteira sobre os russos e foram os primeiros a testar uma cápsula Apollo. O voo inaugural estava sendo preparado, e testes em solo estavam sendo conduzidos, quando, em 27 de janeiro, um incêndio acidental incinerou seus três tripulantes: Gus Grissom, Ed White e Roger Chaffee. Um escândalo — um acidente fatal com uma cápsula em solo. A Nasa teria de fazer uma investigação e repensar diversos sistemas para sua espaçonave lunar. Era a deixa que os russos precisavam para recuperar a frente.

Mas… eles estavam sob a mesma pressão que os americanos, com o agravante adicional de terem perdido seu projetista-chefe, o brilhante Sergei Korolev, em 1966. Um acidente do lado soviético era só questão de tempo — e nem foi muito tempo. A Soyuz 1 teria o mesmo destino da Apollo 1. Ela chegou a ir ao espaço, em 23 de abril de 1967, e ia testar a capacidade russa de encontro e acoplagem, mas uma série de falhas levaram ao fim trágico da missão — o para-quedas da cápsula falhou, e seu único ocupante, Vladimir Komarov, foi morto após ser esmagado contra o solo.

Os russos também teriam atrasos com seu foguete N1, o que acabou devolvendo a dianteira aos americanos.

 

A CORRIDA PARA A LUA (1968-1969)

Mais de um ano depois do acidente da Apollo 1, a Nasa estava pronta para retomar os voos tripulados. Após uma série de missões automatizadas para testar os sistemas e o foguete Saturn V, em 11 de outubro de 1968 voaria a Apollo 7, que levaria o módulo de comando — a cápsula que abrigaria os astronautas no espaço — até a órbita terrestre, num voo de 11 dias.

Os russos seguiam no encalço, e a Soyuz 3, primeira missão tripulada soviética após o acidente de Komarov, voaria em 26 de outubro.

Os americanos ainda estavam sob risco de perder. E nunca esse perigo se manifestou de forma tão intensa como quando chegaram notícias da Zond 5, uma espaçonave soviética que levou os primeiros tripulantes a um voo circunlunar — duas tartarugas, além de um punhado de bactérias –, em setembro de 1968. Foi a primeira espaçonave a ir até as imediações da Lua e retornar para um pouso na Terra. E um voo realmente tripulado podia vir a seguir; com efeito, hoje sabemos que Alexei Leonov estava escalado para estar nele.

Cinturões de Van Allen? Para essas tartarugas da sonda russa Zond 5, não foram problema! (Crédito: Reprodução)

Os americanos não tinham planos de ir até a órbita lunar antes de 1969. A ideia era testar primeiro o módulo lunar em órbita terrestre, e só depois ir à Lua. Mas o avanço dos russos obrigou a uma mudança de planos, levando a Apollo 8 — sem módulo lunar, só com módulo de comando — a ser a primeira missão destinada a ir à órbita lunar. Ela foi lançada em dezembro de 1968, e Frank Borman, Jim Lovell e William Anders se tornaram os primeiros humanos a entrar em órbita lunar, dando dez voltas ao redor da Lua, antes de retornarem em segurança à Terra.

A Zond 6 russa, levando mais uma vez só animais, não teve sucesso e se espatifou na reentrada. Os problemas se dissipavam de um lado e se acumulavam de outro. Àquela altura, os americanos já tinham confiança de ir à órbita lunar com astronautas. Faltava testar o módulo lunar e efetuar o pouso. A Apollo 9 testou os trajes espaciais lunares e o módulo lunar em órbita da Terra, e a Apollo 10 — segunda missão a ir à Lua — fez um ensaio geral: tudo foi realizado para um pouso, exceto sua conclusão. O módulo lunar foi levado a 15 km do solo e depois retornou, deixando apenas um “detalhe de Parreira” para a Apollo 11 — a alunissagem.

Àquela altura, o Saturn V já havia se provado como confiável para as missões — o mais potente foguete já projetado.

O foguete N1 russo, que levaria cosmonautas à Lua se ao menos conseguisse fazer um lançamento bem-sucedido. (Crédito: Reprodução)

Em compensação, os russos comiam o pão que o Tio Sam amassou com o foguete N1. Seu desenvolvimento havia começado quase quatro anos após o Saturn V, seu projetista-chefe estava morto, e o projeto tinha menos recursos do que os necessários. Seu primeiro voo-teste aconteceria em 21 de fevereiro de 1969 e duraria menos de três minutos. Fracasso. Outra tentativa seria feita a menos de 20 dias da vitória americana, no dia 3 de julho. Explodiu.

Em 16 de julho de 1969, o Saturn V levando Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins, a bordo da Apollo 11, estava pronto para partir.

APOLLO 11 (16-24 de julho de 1969)

Às 10h32 de Brasília, 9h32 de Cabo Canaveral, o Saturn V decolou, levando o trio de astronautas e a Apollo 11 até uma órbita terrestre baixa. Após uma volta e meia ao redor da Terra, o terceiro estágio do foguete, ainda acoplado à nave, disparou por 5 minutos e 48 segundos, colocando a Apollo 11 numa órbita translunar — a caminho da Lua.

O lançamento do Saturn V, peça essencial para a vitória americana com o projeto Apollo (Crédito: Nasa)

Por medida de segurança, a trajetória calculada era de “retorno livre”. Se algo desse errado no caminho, a nave faria um oito ao redor da Lua e retornaria para a Terra sozinha, só pela força da gravidade.

Uma vez na rota translunar, era preciso separar a nave do foguete. O módulo de comando e serviço (batizado pelos astronautas de Columbia) se desacoplava, virava em 180 graus e se encaixava ao módulo lunar, que estava preso ao terceiro estágio do foguete, protegido por quatro painéis que se soltavam. (Um deles, inclusive, é provavelmente o tal “óvni” que dizem que Buzz Aldrin viu a caminho da Lua — ele comenta isso na entrevista acima!)

Após a “extração” do módulo lunar, o terceiro estágio do Saturn V era manobrado para entrar numa órbita solar e não “incomodar” posteriormente.

A pedido dos astronautas, não houve experimentos a realizar na jornada de três dias e meio até a Lua — todos queriam estar concentrados para a fase crucial e inédita da missão. Salvo por dois ajustes de curso no caminho, o principal trabalho era se preparar para pousar na Lua.

Em 18 de julho, Armstrong e Aldrin colocaram pela primeira vez seus trajes espaciais lunares e testaram também os sistemas do módulo lunar.

Em 19 de julho, iniciou-se a manobra de inserção orbital lunar. Um disparo do motor do módulo de serviço por 357,5 segundos colocou a nave numa órbita elíptica, e um segundo disparo de 17 segundos circularizou a órbita com altitude em torno de 110 km.

Em 20 de julho, checagem final do módulo lunar Eagle e, 100 horas e 12 minutos após a partida da Terra (4 dias, 4 horas e 12 minutos), ele se desacoplou do módulo de comando Columbia. Na descida, Armstrong e Aldrin; em órbita lunar, ficaria Collins.

O módulo lunar disparou seu motor para frear e, com isso, acentuar sua descida até a Lua com a ajuda da gravidade lunar. Até aí, tudo exatamente como executado na missão de ensaio, Apollo 10.

A etapa final da descida, contudo, seria bastante tensa. Após novas manobras e o uso do motor de descida para um pouso controlado, Armstrong e Aldrin notaram que o terreno sob a nave estava passando alguns segundos antes do esperado — eles pousariam além do sítio de pouso originalmente planejado.

Para ajudar, o limitado sistema de computador da nave estava sobrecarregado por dados e disparando um alerta de falha constante. Armstrong teve de controlar a descida final para evitar terreno pedregoso e consumiu 40 segundos a mais de combustível do que o previsto — e menos de 30 segundos antes do limite de consumo estabelecido para o pouso.

E então, após alguns segundos de silêncio que pareceram uma eternidade no Centro de Controle, vieram as palavras de Armstrong: “Houston, Base Traquilidade aqui… o Eagle pousou.”

Às 17h17 de Brasília (16h17 em Cabo Canaveral), com o pouso bem-sucedido, começava um período de atividades de pouco mais de 21 horas em solo lunar — mas, claro, de todo esse tempo, a maior parte gasta dentro do módulo mesmo. À superfície da Lua, Neil Armstrong só desceu pouco mais de quatro horas após a alunissagem, às 23h39 (de Brasília). O astronauta abriu a escotilha e vagarosamente desceu à superfície, ativando a câmera para a transmissão ao vivo para a Terra enquanto estava na escada do módulo. Às 23h56 (de Brasília), colocou sua bota esquerda sobre o solo lunar. “Um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade.”

Edwin Aldrin na Lua, em 20 de julho de 1969. Armstrong aparece no reflexo do capacete. (Crédito: Nasa)

Cerca de 20 minutos depois, Aldrin se juntava a ele no solo. Eles colheriam amostras, instalariam um pacote de experimentos em solo e deixariam na Lua também medalhas comemorativas em homenagem àqueles que deram suas vidas pela conquista da Lua — não só o trio da Apollo 1, mas também Komarov, que morreu em 1967 na Soyuz 1, e Yuri Gagarin, que morreu num acidente de avião em 1968. A corrida era entre americanos e soviéticos, mas, uma vez vencida por alguém, a vitória era de toda a humanidade. Também foram levadas mensagens de boa-fé de 73 líderes mundiais e um broche com um ramo de oliveira, um símbolo de paz.

Aldrin foi o primeiro a retornar ao módulo lunar, seguido por Armstrong cerca de 40 minutos depois. No total, as atividades extra-veiculares duraram pouco mais de duas horas e meia.

De volta ao módulo lunar, um período de descanso de sete horas, antes da decolagem. O módulo foi construído em duas partes — a de descenso e a de ascensão, com a primeira servindo de plataforma de lançamento para a segunda.

Mesmo depois do pouso bem-sucedido, ainda havia tensão para a manobra. O presidente americano Richard Nixon já tinha até um discurso preparado por um assessor para o caso de haver fracasso na decolagem da Lua: “Esses bravos homens, Neil Armstrong e Edwin Aldrin, sabem que não há esperança em sua recuperação. Mas eles também sabem que há esperança para a humanidade em seu sacrifício.”

Felizmente não foi preciso ler diante do mundo a funesta mensagem. A decolagem se deu no dia 21 de julho, seguida pela acoplagem do módulo de ascensão com o Columbia, que àquela altura já havia dado 25 voltas ao redor da Lua.

Com amostras e astronautas transferidos ao módulo de comando, o módulo de ascensão é descartado, para cair no solo lunar, e o motor do módulo de serviço é acionado para colocar a nave no rumo de volta para a Terra. Em 24 de julho, o módulo de comando se desprendeu do de serviço e reentrou na atmosfera terrestre com a ajuda de para-quedas, sendo recuperado no Oceano Pacífico. Fim da maior aventura já empreendida por seres humanos. Começo de uma série de incursões lunares.

APOGEU E QUEDA DA ERA APOLLO (1969-1975)

A Apollo 11 provou que era possível ir à Lua, e as missões seguintes provariam que seria possível fazer mais — e que o perigo ainda estava à espreita.

A Apollo 12, que voou ainda em 1969, demonstrou a capacidade de pouso de precisão, descendo próximo ao veículo não-tripulado Surveyor 3. Os astronautas trouxeram de volta a câmera da sonda, para que a Nasa estudasse os efeitos do ambiente lunar sobre ela após alguns anos.

A Apollo 13, em 1970, devia pousar, mas um acidente no meio do caminho quase levou à morte dos astronautas. O que os salvou foi o uso do módulo lunar como um “bote salva-vidas” e uma trajetória de retorno livre, a exemplo daquela adotada cautelosamente no lançamento da Apollo 11.

A Apollo 14, em 1971, fez o que a Apollo 13 não conseguiu, e a 15 deu um salto qualitativo, com um módulo lunar atualizado e um jipe lunar dobrável, para dar maior alcance aos astronautas na exploração. Apollo 16 e 17, em 1972, também tiveram seus jipes, mas as missões lunares já não capturavam mais o interesse do público como antes.

Harrison Schmitt estava visitando paisagens como esta com o Lunar Roving Vehicle da Apollo 17, mas o público nem ligava mais. (Crédito: Nasa)

A corrida espacial chegava ao fim, a um custo extraordinário, e as missões Apollo 18, 19 e 20, embora planejadas, acabaram canceladas. A última espaçonave Apollo foi usada em 1975 para selar a paz entre americanos e soviéticos no espaço, num encontro em órbita com uma espaçonave Soyuz.

Depois disso, a Nasa foi comandada a buscar meios de reduzir o custo de acesso ao espaço, e o resultado foram os ônibus espaciais, que voaram entre 1981 e 2011. Os russos envidaram seus esforços para desenvolver estações espaciais, como a Mir, e os dois programas se encontraram em definitivo com a queda da União Soviética e a formação do consórcio de construção da Estação Espacial Internacional, liderado por russos e americanos em parceria.

Agora, com inovações tecnológicas e a aposentadoria dos ônibus espaciais, a Nasa fala novamente em voltar à Lua e talvez ir a Marte. Certamente, desta vez não será uma corrida, e sim um projeto de cooperação internacional, nos moldes da estação espacial. Mas os próximos capítulos certamente nos remeterão àquela era em que duas nações disputaram freneticamente a hegemonia no espaço e, com isso, catalisaram o que parecia impossível apenas uma década antes — levar humanos à Lua e trazê-los de volta em segurança.

PERGUNTAS QUE INSISTEM EM NÃO CALAR

1- Se realmente os americanos foram à Lua entre 1968 e 1972, por que jamais retornaram?

A principal razão é o custo. Com o fim da corrida espacial, não havia motivação suficiente para gastar o que seria necessário para manter ou expandir o Projeto Apollo. Na verdade, o grande projeto seguinte adotado pelos americanos foi o dos ônibus espaciais, justamente na esperança de reduzir o custo das missões espaciais. Não deu certo, os ônibus, apesar de reutilizáveis, se mostraram caros demais, e por isso nunca sobrou dinheiro para sequer tentar uma volta à Lua – até agora. Recentes evoluções da tecnologia, como os foguetes reutilizáveis (e baratos) da SpaceX de Elon Musk, e novas diretrizes estratégicas, como a aposentadoria dos ônibus espaciais, humanos brevemente estarão de volta à órbita lunar. Certamente isso acontecerá antes de 2025.

2- Quem filmou a descida de Neil Armstrong à superfície, se ninguém estava lá antes de sua chegada?

A câmera de TV era instalada do lado de fora do módulo lunar e era posicionada e ativada pelo astronauta na descida pela escada. Depois que ela foi ativada e controle da missão confirmou a recepção das imagens, Armstrong recebeu a autorização para descer os últimos degraus da escada e marcar sua bota no solo lunar.

3- E as inconsistências nas imagens, que mostram a bandeira tremulando, sombras não paralelas e penumbra sem atmosfera?

Essas ditas “inconsistências” na verdade são totalmente consistentes com a realidade lunar. Uma observação atenta das imagens mostra que a bandeira não tremula realmente, mas apenas balança respondendo à vibração do mastro conforme os astronautas a fincam no solo. As sombras são tão paralelas quanto possível num terreno irregular e acidentado. Qualquer observação de sombras sob o Sol, na Terra, mostrará que elas não se mostram paralelas sobre um terreno que não é plano. E é falsa a ideia de que as regiões não iluminadas diretamente pelo Sol deveriam ser completamente escuras na Lua. A questão da penumbra não tem nada a ver com a presença ou não da atmosfera, mas sim com a presença de fontes secundárias de luz. Quaisquer objetos que refletissem luz – como a superfície da Lua ou mesmo as roupas brancas dos astronautas – serviriam para iluminar parcialmente o ambiente na sombra.

4- E aquele papo de a Nasa ter perdido as imagens da missão Apollo 11?

Há um grande exagero nessa “perda”. As missões foram registradas com câmeras de filme fotográfico de altíssima qualidade, e nenhum dos vídeos ou fotografias obtidos assim foi perdido. A única coisa que a Nasa, por acidente, apagou foi a fita magnética que estava gravando o sinal original de TV recebido da Lua para a transmissão ao vivo. Uma estupidez, mas nada chocante, levando em conta que essas imagens já tinham baixa qualidade mesmo na versão original e se prestavam somente para exibição ao vivo. Ainda assim, a agência espacial americana fez grande esforço para “remasterizar” esse material, a partir de incontáveis cópias disponíveis em vários arquivos de TV espalhados pelo mundo, de forma que não há um segundo sequer da missão que não tenha seu vídeo hoje disponível.

5- E a entrevista do Stanley Kubrick no YouTube dizendo que ele filmou a missão Apollo 11 num estúdio?

Essa é uma das coisas mais bizarras da era “fake news”. O sujeito não se parece com Stanley Kubrick, não fala como Stanley Kubrick, mas tem gente que acredita que seja Stanley Kubrick. O mais engraçado é que no YouTube mesmo você pode encontrar trechos cortados dessa “entrevista” em que o diretor indica ao ator/“Kubrick” o que dizer e como se comportar para a câmera. É o nível de desonestidade típico dos negacionistas contumazes dos pousos lunares.

6- Os cinturões de Van Allen impediriam qualquer missão além da órbita da Terra! Por isso, as missões são falsas!

OK, vá dizer isso às tartarugas russas que viajaram na Zond 5 soviética e deram a volta na Lua em 1968! Na verdade, James Van Allen (e não Van Halen, pelamordezeus) era cientista envolvido com o primeiro satélite artificial da Nasa, o Explorer 1! Ele foi o responsável, em 1958, pela descoberta dos cinturões de radiação gerados pela interação do vento solar com o campo magnético da Terra, que já eram relativamente bem caracterizados na época das missões Apollo. Elas foram projetadas para reduzir ao mínimo a exposição dos astronautas aos cinturões, escolhendo o melhor ângulo para saída da Terra e fazendo a travessia rapidamente. Com efeito, medições foram feitas da exposição dos astronautas à radiação durante as missões e ficou constatado que nenhum deles chegou a sofrer exposições elevadas. (E temos de lembrar que a Estação Espacial Internacional rotineiramente cruza o mais baixo dos cinturões quando sobrevoa a Anomalia Magnética do Atlântico Sul, uma região em que a radiação deles atinge altitude menor, por razões ainda pouco compreendidas. Ninguém morre de envenenamento radioativo lá.)

7- E o jipe? Como podia caber o jipe grandão no módulo lunar?

O jipe só compôs as missões Apollo 15, 16 e 17. Ele era dobrável e ia numa área de armazenamento do lado de fora do módulo lunar. Os astronautas treinaram na Terra para retirá-lo e desdobrá-lo, e há vídeos tanto do treinamento em solo como da retirada do jipe na Lua. Não é um mistério que resista a uma simples busca de boa-fé no Google.

8- Quem podia filmar a decolagem do módulo lunar se ninguém ficava na Lua?

As decolagens só foram filmadas nas missões Apollo 15, 16 e 17, e o segredo para isso era o jipe, que tinha uma câmera, bateria e uma antena para comunicação com a Terra. Assim, a câmera podia ser controlada remotamente para acompanhar a subida do módulo de ascensão, e as imagens podiam ser enviadas para nós. O difícil era sincronizar o apontamento, por conta do atraso de mais de um segundo entre o comando ser transmitido daqui e chegar até lá. Ou seja, o controlador tinha de ordenar o movimento mais de um segundo antes para a gravação dar certo. E esse sucesso de sincronização só veio com a Apollo 17, num vídeo incrível que mostra o módulo subindo, subindo e subindo, bem mais que o teto de qualquer estúdio de Hollywood.

9- Mas se havia esse atraso nas comunicações, como seria de se esperar, como podem os astronautas conversarem em tempo real com o controle da missão?

Não podem, e não conversam. Há um atraso de alguns segundos entre perguntas e repostas, que pode ser notado com clareza nos áudios originais da Nasa. Às vezes, pelo atraso, eles falam uns por cima dos outros! Evidentemente, para apresentações em programas de TV, muitas vezes o silêncio é cortado para ganhar tempo e dar dinamismo à narrativa. Mas quem viu ao vivo sabe que havia atraso entre as falas. (Confira aqui uma recriação em tempo real do pouso da Apollo 11, que mostra isso!)

10- Por que os astronautas parecem caminhar como se fosse um vídeo exibido em câmera lenta?

A Lua tem gravidade que é um sexto da terrestre, o que exigiu adaptação dos astronautas para caminharem com mais eficiência por lá. Isso resulta nos movimentos observados. Não pense, contudo, que foi só glamour. Conforme as missões foram se sucedendo e os exploradores foram ganhando confiança, começaram a tentar movimentos mais casuais e não raro levaram capotes incríveis em solo lunar (como este da Apollo 16). Para se levantar, tinham de fazer manobras impensáveis – que nenhum truque de câmera lenta poderia reproduzir.

11- Por que não há uma cratera sob o módulo lunar, uma vez que seu motor-foguete foi usado para o pouso?

Os pés do módulo lunar tinham uma haste de quase 2 metros que sinalizava a proximidade com o solo para o desligamento do motor. Assim que ela tocasse o chão, uma luz de contato se acendia na cabine, e o motor era desligado. O último metro e meio de descida era feito em queda livre, com motor desligado. Ou seja, não houve grande exposição do solo à exaustão da tubeira. E o efeito foi ainda mais reduzido pelo fato de o módulo estar realizando um deslocamento horizontal até o momento do pouso.

12- E por que os pés do módulo lunar não afundaram mais no solo, considerando que ele desceu em queda livre o último metro e meio?

Cair na Terra é seis vezes mais agressivo do que cair na Lua. O incremento de velocidade pela gravidade lá era bem pequeno, e o módulo lunar em si pesava um sexto na Lua do que na Terra. Tudo isso contribui para não haver grande afundamento — apenas alguns centímetros — dos pés. Isso sem falar que as hastes de contato se colocavam por baixo dos pés no pouso, reduzindo ainda mais o quanto eles seriam capazes de afundar. (Repare no tamanho da haste e em como ela ficava sob o pé do módulo na foto que abre este texto!)

13- E as estrelas, por que não há estrelas nas fotos?

As câmeras fotográficas estavam reguladas para registrar os detalhes da superfície lunar, não as estrelas. Embora o céu seja escuro pela falta de atmosfera, é preciso lembrar que era dia na Lua, e o solo lunar brilhava vivamente refletindo a luz solar. Mais ainda os trajes brancos dos astronautas. A luz das estrelas era comparativamente muito mais fraca, e só registraria nas câmeras se o filme fosse exposto por muito mais tempo — e aí todas as imagens do solo lunar pareceriam ser um brancão estourado e indistinto. Confira o vídeo a seguir para entender melhor o que se passa.

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Vejam a seguir dois textos bem elaborados por alunos do ensino médio sobre o filme baseado na personagem da HQ homônima, Mulher Maravilha. 

O filme “Mulher Maravilha” foi dirigido por Patty Jankins, roteiro de Allan Heinberg e estrelado pela atriz Gal Gadot.

Texto 1:

“Diana é filha de Hipólita, a rainha das Amazonas (sic) e (sic) por mais que sua mãe não queira ver a filha sendo uma guerreira, a luta parece estar no sangue da princesa (sic) e para ajudar em uma guerra, sua tia a ensina a treinar todos os dias. Quando sua mãe percebe que nada impedirá Diana de ser uma guerreira, apoia a filha e pede para a irmã treina-la (sic) mais intensamente.

Em um dia normal como qualquer outro naquela ilha (sic) que só havia mulheres ou super mulheres, vários barcos se aproximam com alemães armados e na frente fugindo deles Steve Trevor, que junto com os alemães encontram Themyscira e uma batalha está armada. Pelo pouco tempo que Steve fica na ilha Diana percebe que precisa acabar com a guerra, acreditando que tudo é culpa de Ares, o deus da mitológico.

mesmo (sic) sem sua mãe não gostar da ideia, Diana parte com Steve não só para acabar com a guerra, mas também, mesmo sem saber, para conhecer sua verdadeira origem.”

Nesse primeiro texto, as principais recomendações referem-se ao uso da pontuação. Na primeira linha falta uma vírgula obrigatória para marcar o aposto. É um bom exemplo do uso de aposto. Ainda nessa linha, deve-se usar uma vírgula depois da conjunção aditiva “e” para melhor legibilidade, mas essa vírgula não é obrigatória. Já na terceira linha pode-se fechar o período com ponto final.

Observe-se, ainda, a ausência do acento agudo em “treina-la (sic)”. Essa acentuação torna-se obrigatória quando o morfema {r} é suprimido no infinitivo e o pronome átono é posposto, e precedido pelo fonema /l/.

Na sequência “naquela ilha (sic) que só havia mulheres ou super mulheres” a preposição “em”, que normalmente não é usada na modalidade oral nesse contexto, tampouco foi usada no texto escrito. É preciso substituir a sequência por “naquela ilha na qual só havia mulheres ou super mulheres” para melhor evidenciar o uso da preposição. Trata-se de um fenômeno gramatical que precisará ser discutido ao longo de todo o ensino fundamental e médio.

Texto 2:

“Um filme que, na minha opinião, pode ser considerado o melhor que já vi. Pois seus trabalhados efeitos especiais e trilha sonora colaboraram para um grande espetáculo.

O filme conta a história de Mulher Maravilha desde quando ela era criança até os dias atuais. Quando era criança, a mãe dela contou-lhe uma história de um deus que era filho de Zeus, e que, por ter travado uma batalha contra seu pai, foi expulso de sua casa. Querendo vingança, decide ir a (sic) Terra e fazer uma grande guerra e apenas alguém poderia deté-lo (sic). Esse alguém foi nomeado de o Matador de Deuses. Esse alguém era ninguém menos ninguém mais que a própria Mulher Maravilha e apenas ela poderia matar o filho de Zeus.

Após uma batalha intensa o filho de Zeus foi derrotado pela Mulher Maravilha e ela continuou a sua carreira como heroína ajudando todos que precisam.”

Na terceira linha desse texto chama-se a atenção para a concordância verbal bem feita no trecho “Pois seus trabalhados efeitos especiais e trilha sonora colaboraram para um grande espetáculo.”

Observe-se que, na sequência “decide ir a (sic) Terra” deve-se usar o acento grave indicador de crase. É oportuno lembrar que, quando a palavra “terra” tem significado de terra firme, em oposição a bordo ou mar, o sinal não será usado. Vejamos alguns exemplos disponíveis na internet:

Vou à terra dos meus avós.

Cheguei à terra natal.

Ele retornou à Terra.

Depois de tantos dias no mar chegamos a terra. (firme)

No texto anterior foi comentado o uso do acento agudo na forma verbal “treiná-la”, com o verbo da primeira conjugação. Nesse segundo texto temos uma ocorrência semelhante em “deté-lo (sic)”. O aluno usou acento agudo mas, na segunda conjugação, deve ser usado o acento circunflexo: “detê-lo”.

Brasília, Julho de 2017.

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A cidade de Cocal dos Alves, PI, com menos de 6 mil habitantes e um dos menores IDH do Brasil, tem surpreendido com a escola estadual Augustinho Brandão, que é destaque por colecionar medalhas nas Olimpíadas de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Desde 2006 já são 131 medalhas acumuladas pela Escola, o que tem servido para pôr essa escola, do interior do Piauí, em evidência e criar uma onda de empolgação com a disciplina.

Leia mais sobre a matéria no site da Folha de São Paulo.

 

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Em 20 de Junho de 2017, chegamos a 4585 downloads deste livro. 


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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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