A Brasília que não lê

Quem são esses brasileiros analfabetos residentes no DF?

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Em artigo na última Veja, J.R. Guzzo traz um interessante levantamento. Os dirigentes ( presidente , primeiro-ministro ou equivalente) de oito países europeus ( França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Suécia, Holanda, Luxemburgo e Escócia ) , e da própria Comissão Europeia, não têm filhos. Ter filhos parece ter-se tornado um comportamento de alto risco que tem de ser evitado. Quando cheguei à idade e à condição social de ter filhos, isso me parecia muito natural, como ( felizmente) pareceu, poucas décadas antes, aos meus pais.

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Na aula de hoje vamos ler um miniconto, isto é, um conto bem curto. Este tem apenas 139 palavras distribuídas em 13 linhas e foi publicado no site www.stellabortoni.com.br no dia 15 de junho de 2016.

Celular (baseado em uma tragédia real)

Aos poucos a capela mortuária foi-se enchendo de amigos da família e colegas da moça. O pai, olhos vermelhos e um lenço amassado nas mãos, ainda tinha forças para agradecer aos que lhe davam pêsames. A mãe, olhar perdido em um passado longínquo, às vezes, acariciava os braços da filha, e debruçava-se sobre o corpo, querendo dizer-lhe alguma coisa. Era uma filha que só lhes dava alegrias. Quando entrou na universidade para fazer curso de jornalismo, a primeira da família a cursar universidade, foi uma alegria só. O pai levou todos a uma churrascaria para celebrar. Agora estava ali, morta.

No dia anterior, ela saía da faculdade quando foi abordada por um casal que lhe gritou que passasse o celular. Assustada, a moça saiu correndo, mas eles a alcançaram e lhe cravaram uma faca no peito. Morreu na hora.

__ Vocês sabem o que é uma capela mortuária?

 Silêncio

__ É uma capela onde as pessoas se despedem de um ente querido que veio a falecer. O corpo é levado para a capela e ali é velado. Qual poderia ser a intenção da autora ao usar essa expressão na primeira linha do miniconto?

__ É pra ela dizer que havia um velório, né?

__ Sim, muito bem. Onde é que a autora explica quem havia morrido?

__ Silêncio.

__ Vamos reler.

“Aos poucos a capela mortuária foi-se enchendo de amigos da família e colegas da moça. O pai, olhos vermelhos e um lenço amassado nas mãos, ainda tinha forças para agradecer aos que lhe davam pêsames. A mãe, olhar perdido em um passado longínquo, às vezes, acariciava os braços da filha, e debruçava-se sobre o corpo, querendo dizer-lhe alguma coisa.”

__ Era uma moça.

__ Quem estava no velório?

__ Silêncio.

__ Acho que é o pai, a mãe e amigos, professora.

__ Por que a autora diz que o pai tinha olhos vermelhos e um lenço amassado nas mãos?

__ Porque ele estava muito triste e chorando.

__ E a mãe da moça, o que estava fazendo?

__ Ela estava se despedindo da filha.

__ O que o miniconto revela sobre a vida da moça?

__ Era uma boa aluna que já estava na universidade.

__ E sobre sua morte?

__ Foi um casal de assaltantes que a matou.

__ O texto constrói uma imagem positiva da vítima? Qual é a frase que resume o sentimento dos pais em relação à filha?

__ É essa: “Era uma filha que só lhes dava alegria”?

__ Parabéns. Vocês gostariam de dar outro título para o miniconto?

__ Eu ia chamar de violência!

__ Muito bem, por certo que é uma pequena narrativa sobre a violência urbana.

Brasília, maio de 2017.

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Nos últimos dias o principal passatempo, na pátria amada, tem sido ouvir as gravações feitas subrepticiamente com figurões da república. O tema quase sempre é oferta e pagamento de propina, mas confesso que fico mais atenta à forma do que ao conteúdo dessas conversas, travadas entre homens. 
O discurso masculino é muito marcado por palavrões, embora algumas mulheres também os usem com desenvoltura. Na peça “É”, de Millôr Fernandes, na década de 1970 , a protagonista, com cerca de sessenta anos, para parecer mais jovem, começa a falar palavrões, mas o faz de forma muito canhestra. Voltando ao mundo da política, a TV, quando reproduz os diálogos, põe um som de apito onde ocorrem palavrões. Já os jornais os reproduzem. É um bom material para quem estiver interessado em gravações espontâneas. Na minha área de trabalho, a Sociolinguística, os principais autores na fase formadora insistem em que a boa análise linguística é a que se baseia em conversas espontâneas !

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Assisti em 11 de maio de 2014 ao filme Getúlio, e gostei muito . Os pontos altos são o desempenho de Tony Ramos e a excelente fotografia de Walter Carvalho. Mas o roteiro também é muito bom e as imagens do Catete nos fazem recordar um Brasil cujos palácios ostentavam uma decoração rococó, e pensar na ruptura que significou a construção de uma nova capital, distante do litoral e das tradições que o Rio de Janeiro preservava. Tão diferente a sede do governo no Rio dos prédios monumentos em Brasília, clean, despojados , inaugurando a modernidade no Brasil. Voltando ao Getúlio, como me lembro do dia 24 de agosto de 1954. Eu estava com minha mãe, em Pouso Alto, sul de Minas, na casa de minha avó materna. Estávamos só as duas, minha avó lidando na cozinha, meu pai viajando, minha irmã mais velha no colégio interno e a mais nova, ainda bem pequena, na casa de uma tia, muito querida, que cuidou dela por um período. Minha mãe ouviu a notícia pelo rádio. Não sei se à época ecos da crise política desencadeada pelo crime da Rua Tonelero e pela campanha ferina de Carlos Lacerda contra a corrupção em torno de Gregório, o guarda-costas do presidente, abalavam pequenas e remotas localidades. Não me lembro. Era um Brasil muito diferente, com pouca difusão de informações . Até nós só chegava o rádio , algumas revistas femininas e jornaizinhos provincianos. Minha mãe assustou-se com a notícia. Ela vivera algumas décadas antes o trauma da Revolução de Trinta, pois morava na divisa entre São Paulo e Minas, próximo ao túnel onde se deram os combates, no município de Itanhandu, e onde o jovem médico, Juscelino Kubitscheck, atuou no hospital de campanha. Meu avô, fazendeiro, levou a família toda para a roça, temeroso dos acontecimentos. Minha mãe gostava do Getúlio, que havia criado a Previdência Social ( O Instituto), o salário mínimo, a Petrobras e promulgado a lei que garantiu o sufrágio feminino, pois até então as mulheres não votavam. Diante da notícia do suicídio do presidente, chamou-me para rezarmos pelo Brasil. Pois ontem me deu vontade de rezar novamente pelo Brasil.

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Passei aos meus alunos, para uma rápida leitura, uma pequena anedota sobre Napoleão, que teria sido “atacado” por um bando de coelhinhos.

O texto foi publicado na revista Aventuras na história – História maluca: Napoleão contra os coelhos em abril de 2017 na edição 167 p.23 da revista.

Obra de Jacques-Louis David, pintada em óleo sobre tela em 1812, com o título O Imperador Napoleão em seu Escritório no Palácio de Tulherias.

A seguir temos o início do texto lido:

“Naquele mês de julho de 1807 o imperador estava em um ótimo humor. Havia acabado de assinar os acordos de Tilsit com a Prússia, consolidando suas vitórias e dando início a um período de (precária) paz no continente...”

Muito rapidamente informei a eles quem havia sido Napoleão. E fomos ao mapa da Europa para localizar a França.

Em seguida, acessamos a internet para responder à questão:

__ Que país é a Prússia?

Historicamente a Prússia foi uma poderosa nação europeia do século XIX. Teve grande influência na história da Alemanha e da Europa. A região da Prússia ocupava uma vasta região, que hoje conhecemos por: Dinamarca, Alemanha, Bélgica, Polônia, República Checa, Lituânia e Rússia. Essa definição nos levou novamente ao mapa da Europa para localizar cada um dos países contemporâneos citados.

Seguem-se trechos do diálogo entre Professora e alunos e reprodução de duas resenhas que os alunos fizeram.

__ Vocês sabem quem foi Napoleão?

__ Silêncio.

__ Napoleão foi um grande general que governou a França depois da Revolução Francesa no século XVIII.

Texto 1:

Napoleão foi um grande governador que conduziu a França na época da Revolução Francesa ajudando a população a fazer a (sic) França uma democracia.

Mesmo sendo um grande homem foi inspiração de piadas quando foi brutalmente atacado por perigosos coelhinhos que tinham sangue nos olhos, todos subindo em cima de suas pernas.

Além de ser governador foi um general reconhecido por ganhar diversas batalhas contra outros países contra a revolução.

O aluno usou a palavra “governador”, como uma palavra genérica, por desconhecer o verdadeiro status de Napoleão, que foi um imperador. Tampouco conhecia as palavras “esquiva”, “guerreiros espartanos”, “coche” e “arredavam”, discutidas a seguir.

Esquiva: quando queremos desviar-nos de alguém, algum perigo ou algum objeto usamos uma estratégia de esquiva. Por exemplo:

Os dois bandos de meninos foram caminhando para se enfrentarem, mas o bando mais jovem resolveu dobrar a esquina, como uma estratégia de esquiva, e saiu correndo. Os mais velhos, então, desistiram de correr atrás.

Guerreiros Espartanos: já estudamos que Esparta era uma cidade-estado grega habitada por valentes guerreiros. O auge da civilização espartana foi do século VI ao século IV antes de Cristo (a.C.). Vamos nos lembrar que contamos as datas a.C. de forma decrescente.

__ Vejam exemplos de frases com as palavras que aprendemos.

Apenas 300 guerreiros espartanos defenderam sua cidade de um enorme exército persa em 480 a.C.

Nos primeiros séculos da história do Brasil, as pessoas ricas andavam de coche, que é um tipo de carruagem puxada por cavalos.

O Imperador Dom Pedro II viajava de coche no Rio de Janeiro, com sua família.

Arredar: “arredavam”, do verbo “arredar”, é o ato de não sair do lugar.

“Os coelhos não arredavam de Napoleão.”

O texto foi lido uma segunda vez em voz alta com o objetivo de chamar a atenção para palavras do campo semântico de guerra, portadoras de ironia, por exemplo: “Cercado por todos os lados e em séria desvantagem numérica, o general tomou a decisão estratégica mais sensata e bateu em retirada – mas uma retirada em ataque, atirando coelhos pelo caminho e da janela do coche.” A palavra “ironia” foi explicada e professora e alunos procuraram exemplos de ironia no texto.

Texto 2:

Lá estava Napoleão, no ano de 1807, com ótimo humor, pois havia acabado de assinar os Acordos de Tilsit com a Prússia, consolidando suas vitórias e dando início a um período de (precária) paz no continente. Para celebrar isto, Napoleão propôs um de seus passatempos favoritos, que é caçar coelhos.

Uma propriedade nos arredores de Paris parecia perfeita para uma tarde para caçar bichos fofinhos. Os coelhos foram soltos na propriedade, mas uma pequena revoltinha (sic) fez com que Napoleão fosse simplesmente derrubado pelos pequenos coelhos, sendo assim derrotado por coelhos.

Essa segunda resenha foi mais calcada no texto lido que a anterior. Trouxe, talvez por isso, maior riqueza de detalhes.

Professora e alunos compararam então uma sentença sem informações detalhadas com a sentença usada no texto e discutiram os detalhes que enriqueceram a narrativa:

1. Em 1807, Napoleão estava feliz porque a Europa estava em paz.

2. Lá estava Napoleão, no ano de 1807, com ótimo humor, pois havia acabado de assinar os Acordos de Tilsit com a Prússia, consolidando suas vitórias e dando início a um período de (precária) paz no continente.

Brasília, maio de 2017.

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Em 26 de Abril de 2017, chegamos a 4404 downloads deste livro. 


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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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