A Brasília que não lê

Quem são esses brasileiros analfabetos residentes no DF?

Leia Mais

Projeto Leitura

O Projeto Leitura, tem como objetivo vencer um dos maiores desafios encontrados pelos professores e amantes da literatura: Criar o hábito da leitura.

Leia Mais

Projeto LEF

Projeto LEF Confira artigos, trabalhos, Vídeos, Fotos, projetos na seção do Letramento no Ensino Fundamental.

Leia Mais

Blog

 

As revistas semanais trouxeram matéria extensa sobre a reforma encaminhada ao Congresso por medida provisória, e que continua a suscitar muita crítica nas redes sociais. Um dos pontos mais criticados é a possibilidade de indivíduos sem licenciatura darem aulas. Isso já acontece no Brasil, em muitos municípios, devido à falta de professores para disciplinas como Física, Química e Biologia. 

 

Estas considerações são apenas para registro, já que não tenho procuração do MEC nem tampouco vocação para polemizar. Fico como a Emília do Sítio, metendo, modestamente, minha colherzinha de pau no angu.
Mas em princípio há uma coisa que me inquieta muito : Por que as licenciaturas não aproveitam esse clima de debate para se repensar? Nossas licenciaturas ( a maioria delas) são cursos excessivamente teóricos, ou quasi teóricos, já que as disciplinas são introdutórias . Há pouca carga horária para metodologias.
Penso, por exemplo, em um licenciado em Letras , curso com currículo mínimo muito sofisticado, ( mas poderia ser qualquer outra licenciatura) , que se declara inabilitado para alfabetizar ou para trabalhar com analfabetos funcionais. Mas cuma ? Estima-se que no Brasil cerca de 2/3 dos adultos sejam analfabetos funcionais, e nossos egressos do Curso de Letras não estão preparados para ajudar a superar esse problema ? Esse é um problema de todos nós que nascemos ou vivemos neste país. Pois bem , quem sabe podemos fazer uma pausa no “taca-lhe pau” e pensar em como alfabetizar todos os brasileiros no Ensino Básico e na EJA ?

Categoria pai: Seção - Blog

Como introduzir a Sociolinguística em sala de aula ?  

 

 

A Sociolinguística é um ramo dos  estudos da linguagem que teve origem na chamada  Linguística Estruturalista do século XX, mas que não adotou um de seus pressupostos herdados do suíço Ferdinand de Saussure (1857-1913) e influenciados por Émile Durkheim (91858-1917)  : o de que há que se fazer uma distinção entre o fato social, a língua, e sua manifestação , a fala.   A primeira, por ser social e compartilhada  é homogênea  e , portanto, podia ser estudada e descrita, enfatizando-se as oposições  que se  estabeleciam em seu interior. Já a fala seria a província da variação e  era infensa a regularidades .

 Os estudiosos que vieram a ser chamados de sociolinguistas  estavam em busca de regularidades também na fala heterogênea,  isto é, no uso que os indivíduos fazem  da língua.  Muitos deles simplesmente descartaram a dicotomia saussuriana  língua e fala , bem como a outra , chomskiana, competência e desempenho, que faz uma releitura daquela. 

Tal busca emergiu  principalmente  nos Estados Unidos, nas décadas de 1960  e 1970 , quando  aquele país assistia às reivindicações da população afro-americana,  que deram origem à postulação dos   Direitos Civis, depois transformados em lei. leis.  Nesse contexto,  é fácil entender por que  os primeiros trabalhos de Sociolinguística se voltaram à descrição da variedade do inglês usada pela  população estigmatizada.  A intenção era demonstrar que tal variedade era regida por regras linguísticas sistemáticas e previsíveis, que podiam ser identificadas por meio de análises estatísticas, até então não  utilizadas   nos estudos da linguagem.

Foi com essa tradição que a Sociolinguística   aportou no Brasil,  ainda na década de 1970, onde encontrou solo fértil para seu desenvolvimento, pois em nosso país  a língua do colonizador europeu, nos primeiros séculos,  em contato com línguas aborígines e outras tantas transplantadas à força da África , espalhou-se pelo grande território da colônia, onde o letramento era restrito a uma pequena  elite. Aqui o Português foi objeto de muitas mudanças, seguindo um curso distinto da língua da metrópole.  Tornou-se uma língua geograficamente  hegemônica e nessa condição convive com dezenas de línguas minoritárias, faladas pelas etnias indígenas e algumas  comunidades bilíngues,  apresentando   um  claro panorama diglóssico .  O domínio da variedade urbana culta está associado  à distribuição de  renda e ao acesso  ao letramento.

Brasil é um dos países mais adiantados na pesquisa sociolinguística , que tem grande aceitação,  tanto por parte dos que se dedicam prioritariamente a ela, como por parte  daqueles estudiosos que a associam a outros paradigmas .

Cabe, pois, fazer a pergunta que dá título a estas considerações.  Vou procurar respondê-la apoiando-me em minha própria reflexão sobre o Português do Brasil, na qual têm um grande espaço, além dos estudos quantitativos, aqueles  baseados na tradição etnográfica qualitativa.  Acredito mesmo que exista hoje  em todo o  país uma vertente vigorosa de Sociolinguística Educacional.

Começo por afirmar que a Sociolinguística tem direito a entrar   na sala de aula, pois a educação faz parte de sua gênese.

Afirmo , em seguida, que seu tratamento pedagógico deve  respeitar três axiomas.  O primeiro é : 1. Partir sempre do uso para a teorização. O segundo é : Partir do oral para o escrito. E o terceiro : 3. Expandir o conhecimento de mundo dos alunos, do local para o universal.  Passo a  comentá-los. 

É normal que linguistas e outros estudiosos tenham um grande apreço pela teoria que estudaram ao longo da vida.  Não nego que a Linguística  teórica seja importante e  a base para a compreensão dos fenômenos da linguagem  humana e das centenas de línguas naturais.  Ao professor, porém, que está  em sala de aula, ou vai entrar nela, para alfabetizar e desenvolver a leitura e escrita de seus alunos,  interessam principalmente os  usos da língua:  as formas como ela é empregada , suas variedades, seus múltiplos gêneros textuais, as diferenças entre modalidade oral e escrita.  Por isso entendo que a Sociolinguística tem de penetrar  na sala de aula discutindo esses usos com o professores.  Uma boa maneira de fazer isso é identificando para eles as regras variáveis  presentes em toda a comunidade de fala brasileira  e aquelas mais produtivas  na área onde a escola está situada.  Algumas lhes  são completamente opacas ,  habituados que estão, os professores,   a identificar apenas os chamados “erros de gramática”, tão condenados pela sociedade brasileira,  que tem grande apreço pela  “correção da língua”. Entre as regras variáveis que se deve levar aos professores, cabe referir as que seguem regularidades, como a supressão de consoantes em posição de final de palavra, a queda do /r/ marcador de formas verbais e do /s/, morfema de plural. A variação das vogais médias /e/ e /o/.  A redução dos ditongos formados pela semivogal /i/ em contextos em  que o uso já consagrou forma monotongada ( beijo, freira, treino,  caixa,  etc. ) .

 Ao discutir esse primeiro axioma, é bom reiterar que cabe à escola ampliar os usos linguísticos  de seus alunos ,  dando a eles a oportunidade de acesso aos modos de falar de maior  prestígio social. Ignorar certas variantes estigmatizadas na fala dos alunos, para evitar-lhes constrangimentos, é uma ‘jabuticaba’ que surgiu de leituras equivocadas, e que provavelmente não é  encontrada em outras sociedades,  que valorizam a cultura letrada e os códigos linguísticos em que ela se expressa.  Não se pode esquecer, porém, que qualquer intervenção do professor para “corrigir” o aluno tem de se processar com muita sensibilidade e respeito. É o que temos chamado de pedagogia culturalmente sensível.

Nosso segundo axioma prevê que o trabalho pedagógico com a  Sociolinguística em sala de aula  siga um movimento do oral para o escrito.

 Como dizia o já saudoso Marcuschi, todos falam e  só alguns escrevem.

É na oralidade dos alunos que os professores deverão identificar  traços linguísticos que lhes servirão de balizas, tanto na produção das aulas quanto na antecipação de dificuldades. Essas  balizas vão conduzir o professor  em seu trabalho com a língua escrita, na leitura e na produção de textos .

 

 

O terceiro axioma não é muito discutido na literatura técnica.  Ficou proposto assim : Expandir o conhecimento de mundo dos alunos, do local para o universal.

Um trabalho escolar informado pela Sociolinguística tem o compromisso de acolher os alunos com suas especificidades socioculturais.  Partindo dessa realidade,  cabe aos professores mostrar-lhes novos horizontes .

Ainda são altos os índices de analfabetismo e analfabetismo funcional no  Brasil ( cf. www.ipm.org. br).  São grandes , pois, as probabilidades de  que os professores recebam em suas aulas estudantes oriundos de famílias não alfabetizadas.  Ora, nesses casos a vida familiar e social fica muito circunscrita às experiências  locais.  Caberá à escola criar para os alunos novas experiências mediadas pela cultura letrada.

Dou um exemplo, fui com alguns adolescentes, com esse perfil, ao cinema para vermos um filme de seu interesse : “Tarzã”.   Na fase preparatória do  passeio  revimos  informações sobre a obra original homônima, identificamos  em um globo e em um mapa mundi  o Congo, atual República do Congo.   Depois identificamos a Bélgica e falamos do processo de colonização por que passou o país africano, o que nos conduziu naturalmente à colonização de Portugal no Brasil e às populações autóctones brasileiras,  refletindo também nos custos humanos tanto na República do Congo quanto no Brasil.  Nos encontro seguinte, os alunos trouxeram redações sobre o filme.  ( cf. www.stellabortoni.com.br) .

 

Concluindo,  desejo dizer que esta  foi a forma que encontrei para responder à pergunta : Como introduzir a Sociolinguística em sala de aula ? Espero que tenha sido útil e possa suscitar novas reflexões e debates .

 

Brasília, 23 de setembro de 2016

 

 

Categoria pai: Seção - Blog
Reforma do Ensino Médio. Por indicação da UnB, alguns órgãos de imprensa me ligaram para ouvir minha opinião sobre a reforma do Ensino Médio. Deixo aqui a essência de minhas respostas, sem a preocupação de fazer média com ninguém. É preciso mesmo cuidar do Ensino Médio, que vai de mal a pior. Acho adequado o núcleo comum previsto , constituído de matemática, português e inglês, que vai substituir as atuais treze disciplinas. Ensinar e aprender matemática é essencial. Sem essa competência , os estudantes têm pouca chance de avançar na vida. Da mesma forma é preciso que eles saibam ler e escrever bem , pelo menos em sua língua materna. Quando da discussão do Currículo Básico , solicitei à Parábola Editorial que enviasse ao MEC alguns exemplares da coletânea que organizamos aqui na UnB “Por que a escola não ensina ( gramática) assim ?”, que discute o essencial para um currículo de língua portuguesa. Quanto a língua estrangeira, já ensinamos, há anos, no Ensino Médio também o Francês. Se não tivermos recurso para ensinar várias línguas estrangeiras, ensinemos, pelo menos o inglês, que é uma língua internacional. Outras línguas, como o Espanhol, falado por nossos vizinhos, poderão ser oferecidas como disciplina facultativa, desde que haja professor. Nos países do Leste europeu, cujas línguas são pouco conhecidas, todos os cidadãos falam , compreendem e leem em inglês.
Por fim, a ideia de permitir que os alunos elejam disciplinas pode ser uma forma para evitar tanta evasão, embora não seja uma fórmula mágica. A evasão é um fenômeno multicausado. Os meninos saem do Ensino Médio para trabalhar. As meninas porque ficam grávidas. Disciplinas de que gostem talvez possam ajudar a motivá-los a ficar na escola.
Enfim, embora enviada por medida provisória, ao Congresso, é bom que a sociedade acompanhe a votação dessa reforma.
Em tempo : Considero muito importante que os alunos tenham a oportunidade de fazer educação física, indispensável para o seu crescimento e bem-estar. Também não vejo com bons olhos que se suprimam as aulas de Artes e de Filosofia. Se a escola trabalhar com uma Pedagogia de Projetos, essas disciplinas poderão ser devidamente incluídas no currículo.
Categoria pai: Seção - Blog

Escola da zona sul de SP é exemplo nos anos iniciais e finais

Estadão Conteúdo

09.09.16 - 07h32

Com 485 alunos e notas acima das projeções esperadas para o ano, a Escola Municipal Padre Manoel de Paiva foi o destaque da rede municipal tanto nos anos iniciais como nos finais do ensino fundamental, com 7,3 e 6 no índice, respectivamente. Localizada no Jardim Vila Mariana, na zona sul, o sucesso é atribuído aos sistemas de ensino integrais implementados em seis dos nove anos oferecidos pela unidade, além da dedicação e do treinamento continuado dos professores do local.

Para os estudantes dos anos iniciais, o foco é para que atinjam o nível adequado de alfabetização o quanto antes, para que possam ser desenvolvidas outras capacidades nas séries seguintes; para os mais velhos, há a aposta na formação com auxílio de música e artes.

Os pais lembram também que os docentes estão há muito tempo lecionando na escola, o que é apontado como diferencial por conhecerem as características da região e dos alunos. “Meu filho estudou aqui e agora, minha neta. Sempre soubemos da qualidade, que era a melhor do bairro, mas que é a melhor da cidade é novidade para mim”, disse a comerciante Regina Helena, de 56 anos.

O prédio dos anos 1960 é bem conservado e com estruturas como salas de informática, leitura e artes. Da última avaliação para a nota de 2015, o salto foi de 2,1 pontos nos anos iniciais e de um ponto, nos finais. “As professoras são atenciosas e têm tempo para conversar conosco sobre como anda a educação. Não tenho do que reclamar”, disse a balconista Joice Franklin, de 36 anos.

O modelo de ensino, no entanto, também recebe críticas. A psicóloga Joana Pagliarini, de 36 anos, pretende mudar a filha, que está no 2.º ano, em 2017. “São 29 crianças na mesma sala, o que acho cheio porque o professor não consegue acompanhar”, disse. “Talvez ela seja uma exceção, mas certamente enfrenta dificuldades no aprendizado”, acrescentou Joana. A Prefeitura não comentou a reclamação.

Piores

Na outra ponta da lista, a 13 quilômetros da Manoel de Paiva, o destaque negativo foi para a Escola José de Alcântara Machado Filho, no Real Parque, com índice de 1,3 nos anos finais. Nos anos iniciais, a pior colocação foi da Escola Frei Antonio Santana Galvão, com 3,8. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Categoria pai: Seção - Blog

Papo de Professora

Número 6

 

Meus caros, vamos conversar hoje sobre alguns temas de Ciências, discutidos em turmas do ensino fundamental.

 

Comecemos por dois trabalhos sobre o mosquito transmissor da dengue, o Aedes Aegypti. Depois de conversarmos sobre o mosquito e as doenças que ele transmite, os alunos produziram textos dos quais selecionamos dois.

 

 - Texto 1:

         Aedes Egipti (sic)

Aedes Egipti é um mosquito que transmiti (sic) as doenças dengue e febre amarela, mas agora além de transmitir essas doenças transmiti (sic) o zyka (sic) vírus e o chicungunha (sic), doenças que estão afetando muitas familias (sic) no Brasil.

O mosquito pode ser inden identificado pois seu corpo mede aproximadamente 5 cm e é peludo, preto com listras brancas e dificilmente de (sic) ouvir seus ruídos, também só pode voar a meio metro do chão por isso é provável de picar nas pernas.

É de origem do Egito, por isso esse seu nome, e depois se (sic) imigrou (sic) para Ásia (sic) e América do sul, pois se (sic) abita habita nos lugares quentes, (sic) o mosquito se multiplica em recipiente com água parada, até mesmo na privada, e (sic) caixa d’água e lixo quando acumulado de água da chuva (sic) por isso não pode deixar água parada.

 

 - Texto 2:

        Mosquito Aedes

Esse mosquito que mede 0,5 cm é bem perigoso para nós, porque através desse mosquito podemos pegar doenças.

O mosquito transmite dengue, zika e febre amarela.

Temos que nos previnir (sic) contra esse mosquito retirando água parada e tampada (sic) o vaso sanitário.

O mosquito tem caracteristicas (sic) de cor preto (sic) com listras brancas, o jeito mais fácil dele picar é nas pernas, apesar (sic) de não voar muito alto.

Esse mosquito tem a origem no Egito, depois saiu e foi para (sic) Asia (sic) depois (sic) para a América, onde vivemos.

Temos que tomar cuidado pois mal conseguimos vê-lo e ouvi-lo.

 

São dois textos de excelente qualidade, que se iniciam ambos com um parágrafo introdutório à guisa de prefácio. Palavras que são empréstimos, como Aegypti, chikungunya e zika foram escritas foneticamente, pois os alunos não estão familiarizados com essa terminologia técnica.

 

Seguem as observações sobre o texto 1:

1.   A forma verbal “transmite” da terceira conjugação foi grafada “transmiti”, o que se pode atribuir à pronúncia ou o fato de que a vogal temática do verbo “transmitir” é /i/. Os verbos da chamada terceira conjugação devem merecer um tratamento em sala de aula para mostrar a neutralização das vogais /e/ e /i/ em algumas formas, por exemplo, eu abro, tu abres, ele abre, nós abrimos etc... Mas: eu caio, tu cais, ele cai, nós caímos etc... É preciso mostrar que em alguns verbos a segunda e a terceira pessoa do singular são pronunciadas com /i/, mas grafadas com “e”. Todas essas grafias têm de ser mostradas em enunciados que façam sentido. Alguns desses verbos, como dormir, vestir e conseguir, apresentam alomorfias na raiz, isto é, a raiz se altera em algumas formas: eu durmo, ele dorme, nós dormimos; eu me visto, ele se veste, nós nos vestimos etc...

2.   A palavra “famílias” foi escrita sem o acento agudo. Está aí uma boa oportunidade para mostrar a diferença de grafias entre palavras como “família” e “vasilha”. A sequência /lia/ se neutraliza com a sequência da lateral palatal (representada pelo dígrafo “lh” + “-a”). Vejam mais exemplos: Brasília, planilha, baunilha etc... Recomenda-se que haja mais referências ao uso do dígrafo “lh”, evitando-se, contudo, a apresentação de listagens.

3.  Em “...dificilmente de (sic) ouvir seus ruídos...” o aluno parece ter confundido o adjetivo difícil e o advérbio dificilmente. Foi preciso trabalhar as duas palavras em outros enunciados.

4. Os verbos “imigrar” e “emigrar” são derivados do verbo “migrar”. Nenhum deles é pronominal, o uso do pronome no caso é uma hipercorreção. A ocorrência dá uma boa oportunidade para trabalhar o significado dos três verbos.

5.   O verbo “habitar” tampouco é pronominal.

6. Aproveitei ainda para comentar o uso de vírgula e da conjunção aditiva “e” quando construímos uma sequência.

 

Agora as observações sobre o texto 2:

1.  No verbo “prevenir” a pretônica /e/ tende a ser pronunciada como /i/. É uma palavra que requer observação e uso em outros contextos. Também é bom associá-la à palavra prevenção.

2. “Características” deveria ter sido acentuada por ser uma palavra proparoxítona. O emprego traz uma boa oportunidade de mostrar que toda proparoxítona é acentuada.

3.  Observem essa sequência “...o jeito mais fácil dele picar é nas pernas, apesar (sic) de não voar muito alto.” Optei por não apresentar a variante “...de ele picar...” porque a contração da preposição “de” com o pronome “ele” é praticamente categórica nesse contexto.

4. Em ambos os textos o artigo “a” desapareceu diante do substantivo próprio “Ásia”. Na fala esse é um ambiente de crase das duas vogais /a/. Convém chamar a atenção para o sintagma nominal “A Ásia”.

5. A referência aos continentes também é uma boa oportunidade de levar os alunos a um mapa.

6.   Verificamos que o aluno ainda não usa competentemente a expressão “apesar de” o que me levou a mostrar-lhe que não equivale a “porque”. Por exemplo: não vou nadar porque a água está fria; vou nadar apesar de estar com frio.

 

O outro tema de Ciências que foi tratado diz respeito ao exemplar feminino de um hominídeo, Lucy. Começamos com a leitura do artigo do Estado de São Paulo.

Lucy, o mais conhecido e mais antigo fóssil de um ancestral dos humanos, provavelmente morreu após cair de uma árvore, segundo um estudo publicado na segunda-feira, 29, na revista Nature.

 

De acordo com os autores, a descoberta não se limita a esclarecer o mais antigo caso de morte acidental, ocorrido há 3,1 milhões de anos. Ela traz pistas cientificamente importantes de que a espécie de Lucy também subia em árvores. Desde que foi desenterrada na Etiópia em 1974, Lucy – que pertencia à espécie dos bípedes terrestres Australopithecus afarensis – levanta discussões entre cientistas sobre se esses hominídeos viviam integralmente no chão, ou se eram parcialmente arbóreos, isto é, se passavam parte do tempo em árvores.

 

“É irônico que o fóssil que está no centro do debate sobre o arborealismo na evolução humana provavelmente tenha morrido por ferimentos sofridos depois de cair de uma árvore”, disse o autor principal do estudo, John Kappelman, da Universidade do Texas, em Austin (Estados Unidos).

 

Durante 10 dias, os cientistas examinaram, em um aparelho de tomografia computadorizada de raios X de alta resolução, todos os ossos de Lucy – um dos fósseis de hominídeos mais completos já encontrados -, obtendo mais de 35 mil imagens. Ao analisá-las, os cientistas perceberam que o úmero, um osso do braço, estava fraturado de uma maneira que normalmente não se vê em fósseis. “Essa fratura acontece quando a mão atinge o chão durante uma queda, com impacto em elementos do ombro, criando uma característica única”, disse.

Segundo ele, a fratura foi causada “pela queda de uma altura considerável, quando a vítima esticou o braço para tentar amparar o corpo.” Outras fraturas menores no tornozelo e na pélvis completam as evidências do acidente, segundo o cientista.

De acordo com o estudo, para atingir a velocidade necessária para um impacto que provocasse os ferimentos, Lucy, que tinha cerca de 1 metro de altura e 27 kg, deve ter caído de uma altura de pouco mais de 12 metros. As informações são do jornal O Estado de São Paulo. 30 de agosto de 2016.

A leitura nos levou a uma discussão na qual dei ênfase às palavras: paleontólogo, fóssil, hominídeos e arborealismo. Consultamos também um livro sobre a evolução do Homo-sapiens no qual obtivemos a informação de que os primeiros ancestrais que já tinham a mesma estrutura física de um homem moderno viveram há duzentos mil anos atrás. Lucy, portanto, habitou este nosso planeta milhões de anos antes dos primeiros homens modernos.

Categoria pai: Seção - Blog

Uma palavra depois da outra


Crônicas para divulgação científica

Em 27 de Maio de 2016, chegamos a 3000  downloads deste livro. 


:: Baixar o e-book para ler em seu Macintosh ou iPad
:: Baixar PDF


Novos Livros

Perfil

Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

Leia Mais

Publicações

Do Campo para a cidade

Acesse:

 

Pesquisar