A Brasília que não lê

Quem são esses brasileiros analfabetos residentes no DF?

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Abro os olhos 

E o dia me espera

Procuro reunir ânimo 

Para me pôr de pé. 

Aonde foi parar minha alegria ?

O sol está tímido

Sobre os telhados coloniais

Dou de comer aos pássaros

Num gesto de rotina.

Pra não perder a sua companhia.

O cachorro da vizinha protesta

O dia avança indiferente à minha astenia.

Penso em ir para um spa

Ou pra Macondo

Atrás da chuva

(24 de agosto de 2015)

 

 

 

 

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Bilinguismo luso-brasileiro

Há quem diga que é a mesma língua. Há quem chegue a Portugal esperando “ora pois” e um pouquinho daquele sotaque fofo. Pobrezinhos. Mal sabem o que os espera. Depois de um ano e meio “a viver cá”, sinto-me orgulhosamente bilíngue.

Na semana em que cheguei, ouvi que era muita’gira a minha mala encarnada. Não sabia se era para agradecer, para me ofender ou para xingar de volta. Depois, fui descobrir que a mala era a bolsa, encarnada era vermelha e gira era bonita. Já não dava tempo de agradecer à moça.

Pouco tempo depois, procurava um supermercado e pedi ajuda a uma senhora que me mandou ir para os curraios. Não entendi, mas achei que mandar alguém para os curraios não era algo admissível, por uma simples razão de divisão de sílabas. Saí chocada, segui andando e encontrei o mercado, ao lado dos correios. Correios. Curraios. Saquei.

Depois, foi a vez de um professor narrar um caso de um país que proibiu a venda de maltadagas. Eu, quieta, pensei “Maltadaga. Deve ser uma adaga, arma branca, da ilha de Malta”. Ele falou outra vez e eu entendi “maltad’água”. Pensei “água da ilha de Malta?”. Na terceira ouvi “mota d’água”. Ok. “Mota deve ser moto. Moto de água. Jet ski!! É jet ski!!” E pronto, o professor já tinha mudado de assunto e eu até hoje não sei nem onde nem por que o jet ski foi proibido.

Fui achando que já entendia melhor. Tinha aprendido a não pedir sorvete de creme, mas gelado de nata. E pedi, no restaurante, torta com uma bola de gelado de nata. O garçom disse “bolinha?”. Eu sorri e disse, “sim, uma bola de gelado de nata”. Ele disse “uma bola de bolinha?”. E eu já pensei “ai Deus, começou”. Ele insistiu “não temus gelado d’nata. Temos chuculát, murang e bónilha. Pod’ser uma bola de bónilha?”. Enfim. Bola de bolinha, bola de bónilha, vamos levando.

Descobri que jogar na privada é deitar na sanita. Que pisar no freio é carregar nos travões. Que banheiro é casa de banho e salva-vidas é banheiro. Que dar a descarga é puxar o autoclismo. Que eu uso cuecas, por mais que eu use calcinhas. E que os homens também usam cuecas por mais que eles não usem calcinhas.

 

Não satisfeita, inventei de namorar um lisboeta. Fomos dormir outro dia e ele disse “q’rida, podes colocar o despertador para o Tim Maia?”. Pausa. Oi? “O despertador. Colocas para Oi Tim Maia?” Tim Maia? “Sim, para Oi Tim Maia.” E, então, eu percebi que já era bilíngue. Coloquei o despertador para 8h30 e apaguei a luz.

Ruth Manus    O Estado de São Paulo, Caderno 2, 21 de agosto de 2016

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É domingo, ainda é bem cedo, mas o dia já acordou e eu também, acossada por este agosto de umidade do ar muito baixa em Brasília. As horas são bonitas, céu azul sem nuvens, mas há que ter paciência esperando as chuvas. Estão previstas para a segunda quinzena de setembro. A secura não parece incomodar os pássaros . No meu horizonte, emoldurado de palmeiras e outras árvores sempre-verdes (!) ( só o ipê roxo dos vizinhos está desfolhado e seco), vejo vários pássaros, alguns miúdos e os pombos, maiores. Voam, acredito, pelo simples prazer de voar. Gosto disso. Os periquitos ainda não começaram a sua algaravia. Mas há uma rolinha quero-quero avisando que a manhã começou faz tempo. ( 7 de agosto de 2016)

 

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O Brasil é vulnerável. O Rio de Janeiro é uma cidade perigosa. Não é a única no mundo. Eu já fui roubada ( não assaltada) na Oxford Street em Londres. Perdi vinte libras. Minha casa, nas proximidades da Universidade da Pennsylvania, na Filadélfia foi arrombada.

Cada brasileiro sabia e sabe que era preciso cuidar muito da segurança dos visitantes no Rio e muito foi feito nesse sentido. As Olimpíadas têm transcorrido sem maiores problemas, à custa de alto investimento em segurança e privação no direito de locomoção em comunidades da cidade.
Pois bem, depois de tudo isso, vêm esses rapazes irresponsáveis e inventam a história de um assalto que não aconteceu para esconder sua indisciplina. E parte da imprensa norte-americana acha que o Brasil está fazendo tempestade em copo d’água. Nós sabemos como a imagem do Brasil pode ser prejudicada com esse suposto incidente. Talvez os americanos não se deem conta, porque vivem em outra realidade, mas nós sabemos como nos custa preservar nossa imagem e dar conta das Olimpíadas de acordo com padrões internacionais

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Quando vejo os atletas das Olimpíadas, principalmente os que se dedicam às modalidades individuais, penso na incessante busca pela perfeição. Atletas olímpicos são talvez a melhor imagem dessa vocação humana. Para alcançá-la, não economizam esforços e privações. São dedicados, disciplinados, obstinados. Também o são os que sonham com a perfeição em outros planos. Os virtuoses da música. Os espiritualizados que abrem mão de prazeres terrestres e se comprazem na meditação . Os artistas que vislumbram a obra-prima. Os matemáticos , os astrofísicos , os biólogos, os químicos , todos que estão na busca do conhecimento. Há muito além das barras duplas do que sonha nossa vã filosofia.

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Uma palavra depois da outra


Crônicas para divulgação científica

Em 27 de Maio de 2016, chegamos a 3000  downloads deste livro. 


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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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