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Qualidades do Professor

 

Salvar
Por: Cecília Meireles

Ilustração: Laurabeatriz

Se há uma criatura que tenha necessidade de formar e manter constantemente firme uma personalidade segura e complexa, essa é o professor. 

Destinado a pôr-se em contato com a infância e a adolescência, nas suas mais várias e incoerentes modalidades, tendo de compreender as inquietações da criança e do jovem, para bem os orientar e satisfazer sua vida, deve ser também um contínuo aperfeiçoamento, uma concentração permanente de energias que sirvam de base e assegurem a sua possibilidade, variando sobre si mesmo, chegar a apreender cada fenômeno circunstante, conciliando todos os desacordos aparentes, todas as variações humanas nessa visão total indispensável aos educadores. 

É, certamente, uma grande obra chegar a consolidar-se numa personalidade assim. Ser ao mesmo tempo um resultado — como todos somos — da época, do meio, da família, com características próprias, enérgicas, pessoais, e poder ser o que é cada aluno, descer à sua alma, feita de mil complexidades, também, para se poder pôr em contato com ela, e estimular-lhe o poder vital e a capacidade de evolução. 

E ter o coração para se emocionar diante de cada temperamento. 

E ter imaginação para sugerir. 

E ter conhecimentos para enriquecer os caminhos transitados. 

E saber ir e vir em redor desse mistério que existe em cada criatura, fornecendo-lhe cores luminosas para se definir, vibratilidades ardentes para se manifestar, força profunda para se erguer até o máximo, sem vacilações nem perigos. Saber ser poeta para inspirar. Quando a mocidade procura um rumo para a sua vida, leva consigo, no mais íntimo do peito, um exemplo guardado, que lhe serve de ideal. 

Quantas vezes, entre esse ideal e o professor, se abrem enormes precipícios, de onde se originam os mais tristes desenganos e as dúvidas mais dolorosas! 

Como seria admirável se o professor pudesse ser tão perfeito que constituísse, ele mesmo, o exemplo amado de seus alunos! 

E, depois de ter vivido diante dos seus olhos, dirigindo uma classe, pudesse morar para sempre na sua vida, orientando-a e fortalecendo-a com a inesgotável fecundidade da sua recordação. 

Texto de Cecília Meireles, extraído do livro Crônicas de Educação 3
Ilustrado por Laurabeatriz
 

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O futuro da SOCIOLINGUÍSTICA

Por William Labov in Parábola Editorial
04
Set
3499
O futuro da SOCIOLINGUÍSTICA

 

ENTREVISTA COM WILLIAM LABOV

 

ReVEL – O senhor teve uma enorme importância nos desenvolvimentos da Sociolinguística nos Estados Unidos. E pode ser considerado o fundador da Sociolinguística Variacionista. O senhor poderia nos contar um pouco sobre a sua história no campo da Sociolinguística?

Labov – Quando eu comecei na Linguística, eu tinha em mente uma nmudança para um campo mais científico, baseado na maneira como as pessoas usavam a linguagem na vida cotidiana. Quando eu comecei a entrevistar pessoas e gravar suas falas, descobri que a fala cotidiana envolvia muita variação linguística, algo com que a teoria padrão não estava preparada para lidar. As ferramentas para estudar a variação e a mudança sincrônica surgiram dessa situação. Mais tarde, o estudo da variação linguística forneceu respostas claras para muitos dos problemas que não eram resolvidos por uma visão discreta da estrutura linguística.

 

ReVEL – Qual é o objeto de estudo da Sociolinguística?

Labov – É a língua, o instrumento que as pessoas usam para se comunicar com os outros na vida cotidiana. Esse é o objeto que é o alvo do trabalho em variação linguística. Existem outros ramos da Sociolinguística que estão preocupados primordialmente com questões sociais: o planejamento linguístico, a escolha da ortografia oficial e outros que se preocupam com as consequências das ações de fala. Todas essas são importantes áreas de estudo, mas eu sempre tentei abordar as grandes questões da Linguística, como determinar a estrutura da linguagem – suas formas e organização subjacentes – e conhecer o mecanismo e as causas da mudança linguística. Os estudos da linguagem usada no dia a dia provaram ser bastante úteis para alcançar esses objetivos.

 

ReVEL – Em se tratando de variação fonológica, o senhor vê algum conflito ou complementaridade entre a Teoria da Variação e teorias de base gerativista, como, por exemplo, a Fonologia Lexical ou a Teoria da Otimidade (OT)?

Labov – Recentemente frequentei um workshop sobre variação linguística ministrado por fonólogos que estão interessados exatamente nesta questão. O trabalho que comecei em 1967 sobre a análise das restrições internas no apagamento do –t,d em inglês ainda é um tópico central para os fonólogos que estão tentando incorporar a variação linguística a seus modelos formais. A Gramática Harmônica, a OT Estocástica, a Stratal OT são as opções que estão sendo consideradas. O criador da Fonologia Lexical, Paul Kiparsky, desenvolveu aStratal OT como uma maneira de capturar os insights da Fonologia Lexical juntamente com a habilidade da Teoria da Otimidade em lidar com um ranqueamento variável de restrições. O tratamento de relações fundamentais descobertas no trabalho sociolinguístico é um problema central para esses desenvolvimentos formais.

 

ReVEL – Qual é o futuro da Sociolinguística? Qual é o futuro da Sociolinguística Variacionista?

Labov – A Linguística não é uma ciência previsível, e eu prefiro deixar o futuro acontecer em seu devido tempo. O que irá determinar o futuro serão os resultados dos estudos emvariação linguística, se eles provarem ser uma rota positiva e cumulativa para responder nossas questões fundamentais sobre a natureza da linguagem e das pessoas que a utilizam.

 

ReVEL – O senhor poderia sugerir algumas leituras essenciais na área da Sociolinguística?

Labov – Entre os estudos mais antigos importantes, eu acredito que os trabalhos de Peter Trudgill em Norwich, Walt Wolfram em Detroit e meus próprios estudos em Nova Iorque (que acabaram de aparecer em uma segunda edição, bem como no livro Padrões sociolinguísticos) deveriam ser conhecidos. Alguns dos trabalhos mais importantes emvariação linguística são feitos no Brasil, e as pesquisas de Anthony Naro, Marta Scherre, Sebastião Votre, Gregory Guy, Eugenia Duarte e Fernando Tarallo devem ser vistas. Muitos desses trabalhos têm relação com a pesquisa em variação em espanhol, nos estudos de Shana Poplack, Richard Cameron e Carmen Silva-Corvalán. Meu trabalho recente está reportado em dois volumes do Principles of Linguistic Change (1994, 2001). Por fim, qualquer um que deseja estar atualizado com pesquisas na área deve ler o periódico LanguageVariation and Change, onde são publicados os artigos mais importantes.

 

Originalmente publicado como LABOV, William. “Sociolinguística: uma entrevista com William Labov.. Revista Virtual de Estudos da Linguagem – ReVEL, vol. 5, n. 9, agosto de 2007. Tradução de Gabriel de Ávila Othero. ISSN 1678-8931 [www.revel.inf.br]. Agradecemos ao professor Gabriel Ávila Othero a licença para a reprodução da entrevista.


 

 

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Livro traça retrato mais humano de Sócrates

Estudo pesquisou os escritos de Xenofonte, um dos seguidores do pensador ateniense

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Passados quase dois milênios e meio, a figura de Sócrates continua a inspirar os que não se conformam com a ideia de que o ser humano seja simplesmente um projeto que não deu certo, como afirmou certa vez, com amargura, o escritor Arthur Koestler (1905 – 1983).

Condenado sob a acusação de zombar dos costumes e corromper a juventude, o filósofo ateniense poderia ter escolhido o exílio ou fugido, mas enfrentou com admirável sobriedade e lucidez a pena de morte.

E sua conduta nos últimos momentos foi o coroamento de uma vida dedicada à busca e à transmissão do conhecimento, e pautada pelo imperativo ético de que é preferível sofrer a injustiça do que cometê-la.

Como Sócrates nada escreveu, os amantes da filosofia antiga o conhecem principalmente por meio dos admiráveis diálogos de Platão (428/427 a.C. – 348/347 a.C.), nos quais o filósofo, que excede seus interlocutores em sabedoria, aparece sempre empenhado em levar o processo cognitivo ao limite e ultrapassá-lo.

Descartadas as comédias de Aristófanes, a outra fonte extraplatônica sobre os feitos e ditos de Sócrates é Xenofonte (cerca de 430 a.C. – 354 a.C.).

Foram os escritos socráticos desse outro discípulo que embasaram o livro O princípio da integridade como o princípio da potência na figura de Sócrates, segundo a obra de Xenofonte, de Flávio Luiz Mestriner Leonetti.

Publicado com apoio da FAPESP, o livro resultou da tese de doutorado de Leonetti, defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, sob a orientação de Olgária Chain Féres Matos.

“Sem a genialidade de Platão, Xenofonte articula melhor teoria e prática, pensamento e ação, e mostra um Sócrates mais integrado e integral, em várias situações do dia a dia. Eu mesmo estava em busca dessa articulação e dessa integridade, que encontrei nas filosofias orientais. Tal movimento me aproximou de Xenofonte. E me apaixonei por sua simplicidade”, disse Leonetti à Agência FAPESP.

De fato, em contraste com o Sócrates altamente filosófico e argumentativo construído por Platão, Xenofonte oferece ao leitor um Sócrates mais singelo, sempre disposto a oferecer às pessoas comuns que encontra nos espaços públicos de Atenas um conselho útil.

Os dois retratos não são excludentes, mas complementares. E certamente teríamos ainda outro, se dispuséssemos de uma terceira versão. Pois é impossível que a representação possa dar conta de todas as nuanças do representado, ainda mais tratando-se de alguém da estatura de Sócrates.

“Em minha pesquisa, apoiei-me principalmente nos quatros livros que compõem a Memorabilia (Apomnemoneumata, em grego) de Xenofonte. Mas também estudei os outros três textos ditos socráticos desse autor: o Econômico, o Simpósio (Banquete) e a Apologia de Sócrates.

Foi nessas quatro obras que busquei o ‘princípio da integridade’, que constitui o eixo de minha tese. Depois, analisei a Apologia de Sócrates escrita por Platão e a crítica feita ao socratismo por Nietzsche.

E concluí considerando a utilidade do estilo socrático (eu zen) frente aos maiores problemas do mundo contemporâneo ”, detalhou Leonetti.

Soldado, historiador e filósofo, Xenofonte tornou-se muito cedo e pelo resto da vida discípulo de Sócrates. Diógenes Laércio (século III d.C.), biógrafo dos grandes filósofos gregos, relatou, de forma anedótica, como os dois se conheceram.

Eles vinham em sentido contrário por uma via estreita, quando Sócrates interpôs seu bastão no caminho de Xenofonte, impedindo-o de passar. Sócrates perguntou-lhe, então, onde eram vendidos todos os tipos de coisas necessárias.

Depois que Xenofonte respondeu, Sócrates perguntou-lhe onde os homens eram feitos bons e virtuosos. Como o outro não soubesse a resposta, o filósofo lhe disse: “Siga-me, então, e aprenda”.

Se esse episódio pode ser tido como uma criação lendária, considerando-se o longo intervalo de tempo que separou o biógrafo dos biografados, um outro fato narrado por Diógenes Laércio foi admitido como verdadeiro pelos estudiosos.

Quando, em uma batalha da Guerra do Peloponeso (conflito armado entre Atenas e Esparta, que se estendeu de 431 a.C. a 404 a.C.), Xenofonte, ferido, caiu de seu cavalo, Sócrates o carregou por vários “estádios” (unidade de comprimento adotada na Grécia Clássica, baseada no tamanho da pista do estádio de Olímpia, onde era disputada a prova de corrida das Olimpíadas), salvando-lhe a vida.

“Devido à excelência da imagem de Sócrates construída por Platão, a importância dos escritos socráticos de Xenofonte foi durante muito tempo subestimada. Ela foi, de certa forma, resgatada em um colóquio internacional realizado em 2003 em Aix-en-Provence, na França. Eu me apoiei bastante nas atas dessa reunião, publicadas no livro Xénophon et Socrate: actes du colloque d’Aix-en-Provence (6-9 novembre 2003)”, informou Leonetti.

“A imagem de Sócrates que procurei delinear não foi a de um super-homem, mas a de um homem que soube integrar e aprimorar as várias facetas de sua humanidade. E, principalmente, a de alguém que fazia o que dizia. Do meu ponto de vista, seu maior ensinamento foi o seu exemplo”, sintetizou o pesquisador.

Juntando Platão e Xenofonte, fica, como retrato de Sócrates, a figura de alguém que lutava bravamente no campo de batalha e dançava nos encontros entre amigos; que, ao contrário dos sofistas, se recusava a ensinar por dinheiro; que andava descalço mesmo em dias de neve; que interrompia o que estava fazendo para escutar as advertências de seu daemon (deidade tutelar ou voz interior); que repreendeu discípulos e amigos quando estes irromperam em pranto depois que ele bebeu até a última gota a taça de cicuta, o veneno que iria tirar-lhe a vida.

Este conteúdo foi originalmente publicado no site da Agência Fapesp.

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A verdadeira história do uísque Jack Daniel’s

Escritora americana faz pesquisa histórica para revelar como um escravo do Tennessee ensinou Jack Daniel a fazer uísque

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Lynchburg, Tennessee — No verão passado, Fawn Weaver estava de férias em Cingapura quando leu sobre Nearest Green, o escravo do Tennessee que ensinou Jack Daniel a fazer uísque.

A existência de Green nunca foi um grande segredo, mas, em 2016, a empresa Brown-Forman, dona da Destilaria Jack Daniel, ganhou manchetes pelo mundo com a decisão de finalmente abraçar o legado de Green e mudar significativamente seus roteiros turísticos para enfatizar seu papel.

“Sem dúvida, era perturbador o fato de que uma das marcas mais conhecidas do mundo ter sido criada, em parte, por um escravo”, disse a investidora de bens imobiliários e escritora afro-americana Weaver, de 40 anos.

Determinada a ver as mudanças de perto, logo depois ela pegou um avião de Los Angeles, onde mora, para Nashville. Mas quando chegou a Lynchburg, não encontrou vestígio algum de Green. “Participei de três tours pela destilaria, e nada, nem menção a ele”, disse ela.

Em vez de ir embora, Weaver mergulhou no assunto, decidida a descobrir mais sobre Green e a persuadir a Brown-Forman a seguir sua promessa de reconhecer o papel dele na criação do uísque mais famoso dos Estados Unidos. Alugou uma casa no centro de Lynchburg e começou a entrar em contato com os descendentes de Green, dos quais dezenas ainda moravam na área.

Juntando arquivos no Tennessee, da Geórgia e de Washington, DC, ela criou uma linha do tempo da relação de Green com Daniel, mostrando como Green não ensinara apenas o barão de uísque a destilar, mas também havia trabalhado para ele depois da Guerra Civil, tornando-se o que Weaver acredita ter sido o primeiro mestre destilador negro dos Estados Unidos. Nas suas contas, ela coletou 10.000 documentos e artefatos relacionados a Daniel e Green, muitos dos quais concordou em doar para o novo Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana em Washington.

Através dessa pesquisa, ela também localizou a fazenda onde os dois começaram a destilar — e a comprou, juntamente com uma área de 1,6 hectares no centro da cidade, que pretende transformar em um parque memorial. Weaver até descobriu que o nome real de Green era Nathan; Nearest (não Nearis, como sempre foi relatado) era um apelido.

Ela está escrevendo um livro sobre Green, e em julho lançou o Uncle 1856, um uísque produzido sob contrato por outra destilaria do Tennessee. De acordo com Weaver, a maior parte dos lucros será aplicada na expansão da lista de projetos relacionados a Green.

A maior conquista de Weaver, no entanto, aconteceu em maio, quando a Brown-Forman reconheceu oficialmente Green como seu primeiro mestre destilador, quase um ano depois que a empresa prometeu começar a compartilhar o legado de Green (Daniel está agora listado como o segundo mestre destilador).

“É absolutamente fundamental que a história de Nearest seja adicionada à de Jack Daniel”, disse Mark I. McCallum, presidente da Jack Daniel’s Brands na Brown-Forman, durante uma entrevista.

A decisão da empresa de reconhecer sua dívida com um escravo, relatada pela primeira vez no The New York Times no ano passado, é uma mudança decisiva na história da indústria alimentícia do Sul. Mesmo em uma época em que os inovadores negros da cozinha e da agricultura sulista estão começando a obter o devido reconhecimento, a história do uísque americano ainda é contada como um caso de brancos, sobre como os colonos escoceses e irlandeses trouxeram o conhecimento das artes da destilaria do Velho Mundo para os estados fronteiriços do Tennessee e Kentucky.

Nathan Morgan/ The New York TimesFAWN WEAVER: 10.000 documentos para reescrever a história oficial da destilaria

A trajetória de Green muda tudo isso ao mostrar como as pessoas escravizadas provavelmente forneceram cérebros, assim como músculos, para uma operação que era árdua, perigosa e altamente técnica.

De acordo com Weaver, Green foi alugado pelos seus proprietários, uma empresa chamada Landis & Green, para os agricultores do entorno de Lynchburg, incluindo Dan Call, um rico proprietário e pastor que também empregou um adolescente chamado Jack Daniel para ajudar a fazer uísque. Green, já hábil em destilar, manteve Daniel sob sua asa e, após a Guerra Civil e o fim da escravidão, foi trabalhar para ele na operação da bebida.

Provavelmente, havia muitos outros homens como Green espalhados pelo Sul. Os registros são escassos, embora referências a escravos habilidosos em destilação e produção de uísque apareçam em anúncios de escravos à venda e procurados no início do século XIX. Mas apenas um deles ajudou a criar uma marca de uísque que hoje gera cerca de US$3 bilhões por ano de receita.

A empresa teve a intenção de reconhecer o papel de Green como destilador mestre no ano passado como parte da comemoração de seu 150º aniversário, afirmou McCallum, mas decidiu adiar as mudanças em meio à discussão racial das eleições de 2016. “Achei que seríamos acusados de fazer disso um grande negócio para ganhar comercialmente”, disse ele.

Não ajudou o fato de muitas pessoas entenderem mal a história, assumindo que Daniel era dono de Green e roubou sua receita. Na verdade, Daniel nunca possuiu escravos e falou abertamente sobre o papel de Green como seu mentor.

Foi assim que os planos da empresa voltaram para a prateleira e poderiam ter ficado lá se Fawn Weaver não tivesse ido atrás da história.

Weaver é filha de Frank Wilson, compositor da Motown Records que co-escreveu “Love Child” e “Castles in the Sand” antes de se tornar pastor em Los Angeles. Ela começou sua carreira como empreendedora do ramo imobiliário e de restauração. Como escritora, lançou em 2014 o best-seller “Happy Wives Club: One Woman’s Worldwide Search for the Secrets of a Great Marriage” (“Clube das Esposas Felizes: uma Mulher Busca pelo Mundo os Segredos dos Ótimos Casamentos”, em tradução livre).

Ela explica que estava procurando um novo projeto quando pegou o jornal em Cingapura.

“Minha esposa geralmente pensa e age numa única atividade”, disse seu marido, Keith Weaver, vice-presidente executivo da Sony Pictures. “Como marido, eu sabia, ‘Aqui vamos de novo’.”

O que era uma viagem rápida para Lynchburg transformou-se em uma estadia de um mês, já que Fawn Weaver descobriu uma história não contada, escondida em arquivos esquecidos, em terras vazias e na memória coletiva dos moradores negros da cidade.

Através de dezenas de conversas, as pessoas locais, muitas das quais trabalhavam ou ainda trabalham para a Jack Daniel’s, contaram-lhe sobre como aprenderam a história de Green com seus pais e avós, acreditando nela mesmo que a empresa mantivesse o silêncio.

“É algo que minha avó sempre nos contou”, disse Debbie Ann Eady-Staples, descendente de Green, que vive em Lynchburg e trabalhou para a destilaria por quase 40 anos. “Nós o conhecíamos em nossa família, mesmo que a história não viesse da empresa.”

Nada permanece silencioso em Lynchburg (que possui 6.319 habitantes) por muito tempo, especialmente quando envolve o maior empregador da cidade e, no final de março, Weaver se encontrou com McCallum, o presidente da marca.

Com uma amostra dos estimados 10 mil documentos e artefatos espalhados sobre uma mesa entre eles, rapidamente se tornou óbvio que Weaver, que não tinha conhecimentos anteriores da história do uísque, sabia mais sobre as origens do Jack Daniel’s do que a própria empresa. O que deveria ser uma reunião preliminar transformou-se em uma conversa de seis horas.

McCallum diz que saiu revigorado do encontro, e em algumas semanas tinha os planos traçados para colocar Green no centro da história do Jack Daniel’s. Em maio, numa reunião com 100 funcionários da destilaria, incluindo vários descendentes de Green, ele descreveu como a empresa incorporaria Green na história oficial, e naquele mês a empresa começou a treinar seus 24 guias turísticos.

Eady-Staples, que se encontrou em particular com McCallum antes da reunião, disse que estava orgulhosa pelo fato de seu empregador finalmente corrigir a história. “Eu não culpo a Brown-Forman por não agir mais cedo, porque eles não sabiam”, disse ela. “Uma vez que souberam, entraram de cabeça.”

De sua parte, Weaver não acabou a pesquisa sobre Green — e talvez nunca acabe.

“Eu perdi seu rastro a partir de 1884”, ano em que Jack Daniel mudou sua destilaria para a localização atual, e Green desapareceu dos registros da nova empresa, afirmou. Ela ainda espera encontrar o túmulo de Green, e recentemente viajou para o Missouri para se encontrar com uma parte da família lá.

“Eu poderia fazer isso pelo resto da minha vida”, afirmou.

Clay Risen | © 2017 New York Times News Service

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Brasil cai em ranking global de universidades; veja as melhores

Novo ranking de universidades da Times Higher Education (THE) tem 21 instituições brasileiras, contra 27 no ano passado. Mas a número 1 continua a mesma

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São Paulo — A revista britânica Times Higher Education (THE) divulgou a nova edição do seu tradicional ranking de universidades, que neste ano classifica as 1000 melhores faculdades de 77 países e traz uma má notícia para o Brasil.

Apenas 21 instituições de ensino superior do país entraram para a lista referente a 2018, contra 27 no ano passado.  

“É decepcionante que a participação do Brasil entre as principais universidades globais tenha diminuído”, afirma Phil Baty, diretor editorial dos rankings globais da THE. “Os resultados refletem a pressão que as universidades do país sofrem com a crise econômica e a crescente concorrência global no setor”.

Baty também afirma que o Brasil deve garantir a continuidade dos investimentos no ensino superior e “libertar suas instituições da burocracia desnecessária” se quiser expandir seu papel no cenário do ensino superior global.

O mau desempenho da economia cortou verbas do ensino superior e reduziu o salário dos pesquisadores. Este mês, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)  anunciou que não tem recursos para pagar bolsas até o final do ano.

Embora o número universidades brasileiras no ranking da THE tenha diminuído, o desempenho daquelas que permanecem continua relativamente estável. A Universidade de São Paulo (USP) continua sendo a líder brasileira, na faixa entre a 251ª e a 300ª posição.  

O Brasil também emplacou quatro novas participantes na edição deste ano: a Universidade Federal de Itajubá (601-800) e também Universidade de Brasília, Universidade Federal de Pelotas e Universidade Estadual de Ponta Grossa, todas na faixa 801-1000.

A metodologia leva em conta 13 indicadores de desempenho. São avaliadas variáveis como qualidade de ensino, pesquisa, transferência de conhecimento e relevância internacional e proporção de alunos e professores estrangeiros.

Confira a seguir as 21 instituições brasileiras que entraram para o seleto grupo das melhores do planeta, segundo o levantamento:

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Uma palavra depois da outra


Crônicas para divulgação científica

Em 02 de Setembro de 2017, chegamos a 4855 downloads deste livro. 


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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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