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10/11/2014 14h06 - Atualizado em 10/11/2014 15h29

 

Profissional diz que surdos precisam entender o contexto das orações.

 

Orion PiresDo G1 Santos

Natalia vai entregar carta à promotoria de Justiça (Foto: Natalia Carla/Arquivo Pessoal)Natalia vai entregar carta à promotoria de Justiça
(Foto: Natalia Carla/Arquivo Pessoal)

Uma estudante surda de Santos, no litoral de São Paulo, encontrou dificuldades para responder às questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado no último fim de semana. Embora uma legislação específica garanta que o candidato com deficiência auditiva receba auxílio de um intérprete em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), as duas profissionais que assistiram Natália Carla, de 19 anos, traduziam apenas palavras, seguindo uma recomendação da coordenadoria regional da prova. A norma dificultou a interpretação do contexto das perguntas e alternativas por parte da jovem, já que LIBRAS não utiliza preposições ou conectivos em textos, como a língua portuguesa. A estudante escreveu uma carta de próprio punho e levará o caso à promotoria de Justiça, sugerindo mudanças.

No documento, ela relata a dificuldade que encontrou durante o exame. “O surdo não entende a estrutura da língua portuguesa. Apenas quem fala português entende o Enem. Os surdos precisam de interpretação do conteúdo de toda a prova. Não entendi nada. Precisamos de Tudo em Libras, por favor”, pede a jovem.

As provas do Enem devem seguir a Recomendação nº 001/2010 do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade) que aborda sobre “a aplicação do princípio da acessibilidade à pessoa surda ou com deficiência auditiva em concursos públicos, em igualdade de condições”. Libras foi oficializada como a segunda língua brasileira, após a publicação da Lei nº 10.436/2002. 

Elayne é intérprete de Natalia Carla (Foto: Elyane Kanashiro/Arquivo Pessoal)Elayne é intérprete da jovem Natalia Carla
(Foto: Elayne Kanashiro/Arquivo Pessoal)

A intérprete de Libras e professora do Instituto Federal de São Paulo, Campus Cubatão Elayne Kanashiro, explica que a leitura do surdo é diferente da de quem possui uma audição perfeita. Segundo ela, que é professora da garota mas não a acompanhou durante a prova, os surdos profundos, como são chamados aqueles que não escutam nenhum tipo de som, precisam entender o contexto da frase. "Embora eu não tenha trabalhado na prova, conversei com várias colegas e alunos que me relataram essa dificuldade. O intérprete foi direcionado a traduzir apenas as palavras por recomendação que recebeu dos coordenadores. O problema é que precisamos respeitar o contexto do surdo, com a interpretação das palavras e orações".

Carta de próprio punho foi escrita pela jovem (Foto: Reprodução)Carta de próprio punho foi escrita pela jovem
(Foto: Reprodução)

No entanto, uma recomendação do próprio site do Enem deixa dúvidas. No regulamento consta que, em caso de dúvida nas orações o candidato pode pedir ajuda. "Mas como você só vai traduzir palavras se eles não compreendem somente as palavras soltas?", questiona.

Natalia é aluna de Elayne e relatou a dificuldade à intérprete. Ela pediu ajuda para levar o caso à promotoria de Justiça, pedindo atenção à causa. "Ela ficou desmotivada, porque ninguém traduziu nada, somente palavras e ela não entendeu o contexto. Poucas coisas e isso não adianta. Nem alternativa nem pergunta. A menina saiu sem entender. Ela não conseguiu se concentrar para entender o que estava escrito porque ficou nervosa com a situação", revela.

A jovem finaliza a carta fazendo um apelo: “Eu quero uma intérprete para traduzir tudo e eu entender bem", afirma.

Em nota, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pelo Enem, afirma que vai aguardar a chegada das atas dos locais e analisar as ocorrências.

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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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