A Brasília que não lê

Quem são esses brasileiros analfabetos residentes no DF?

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Perfil Stella Maris Bortoni-Ricardo

Stella Maris Bortoni-Ricardo                                                                                                                   ::. download profile

Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

Minha família era muito modesta, mas letrada. Meu pai, Geraldo Bortoni, neto de um imigrante, Afonso Bortoni, que deixou a província de Salerno, no sul da Itália, e chegou ao Brasil no final do século XIX, era um brilhante autodidata. Como pôde estudar muito pouco, ganhou a vida sempre como comerciante. Minha mãe, Maria Aparecida da Silva Bortoni, era uma ilustrada professora de Português e de Latim - uma raridade naquele tempo. Foi ela quem escolheu o meu nome, de uma ladainha à Nossa Senhora, em Latim. O casal teve três filhas e eu sou a filha do meio. Quando eu nasci, um poeta sanlourenciano, amigo de meus pais, João Maciel de Oliveira , dedicou-me um poema: Se tu és poeta, e aos céus sobes, de alma pura e singela, sou tua companheira, ó pálida Stella,; se tu és um navegante e ao mar tu baixares, sou tua companheira, ó Stella Maris. Vejo hoje nesse poema, que aprendi a recitar de cor por volta dos quatro anos, o indicador, por excelência, do privilégio que tive de nascer e me criar em um grupo social letrado.

Vivi poucos anos em minha cidade natal, que me agraciou, no ano 2000, com uma comenda de “Filha ilustre da cidade”. Entre os 11 e os 15 anos, estudei interna no Colégio Sion de Campanha, de que guardo meigas lembranças. Depois disso, meus pais mudaram-se para o Rio e eu fui estudar no Colégio Bennett, onde fiz o Curso Normal e tive a certeza de que queria ser professora.

Em 1964, enquanto o Brasil entrava nos anos de chumbo, eu tive oportunidade de ir para os Estados Unidos, para o Lake Erie College, em Painesville, Ohio. O ano que passei lá foi muito produtivo para mim : comecei a aprender a viver numa cultura muito distinta da minha e a me comunicar em uma língua estrangeira. Entre outras disciplinas, cursei ali dois semestres de Shakespeare, que foram muito inspiradores.
De volta ao Brasil, concluí o Curso de Letras na Universidade Católica de Goiás, para onde minhas circunstâncias familiares me haviam levado. Foram essas circunstâncias de mulher casada e mãe de Larissa, Clécio José e Ana Karina que me conduziram depois para Rio Verde, no sudoeste goiano, onde havia o embrião de uma faculdade. Ali, recém-formada, dediquei-me a regularizar a situação da faculdade, o que resultou na criação de uma Fundação Municipal de Ensino Superior , a FESURV, e em uma Faculdade de Filosofia, que hoje já evoluiu para uma universidade – A Universidade de Rio Verde. Por conta dessa dedicação nos anos 70, recebi, em 2001, o título de Cidadã Honorária de Rio Verde, de que muito me orgulho.

Ingressei na Universidade de Brasília como aluna de mestrado e auxiliar de ensino em 1975. Dois anos depois concluí o mestrado em Lingüística e no ano seguinte fui com toda a família, como Fulbright scholar, para a Universidade de Austin, no Texas. Para todos nós a experiência de viver em um subúrbio de classe média no Texas foi muito gratificante.
No período de 1980 a 1983 dediquei-me ao doutorado em Lingüística, na Universidade de Lancaster, no Reino Unido. Minha pesquisa voltou-se para a integração de migrantes de origem rural ao ambiente urbano e foi conduzida na cidade de Brazlândia, no Distrito Federal. A análise sociolingüística desse processo apoiou-se no paradigma de redes sociais, desenvolvido na Antropologia Social. Defendi minha tese de doutorado em dezembro de 1983 , duas semanas antes do falecimento de minha mãe. Em 1985, a tese foi publicada em forma de livro, pela Cambridge University Press, com o título : The Urbanization of Rural Dialect Speakers : A Sociolinguistic Study in Brazil .

Em 1989, retornei aos Estados Unidos. Permaneci um ano em estágio de pós-doutorado na Universidade da Pennsylvania, na Filadélfia, trabalhando com William Labov, no Departamento de Lingüística e com Frederick Erickson, na Graduate School of Education, na área de Etnografia escolar.
Em 1993 tornei-me professora titular de Lingüística, na UnB. O início dessa década foi de muito labor : fui presidente da ANPOLL, entre 1992 e 1994, e Diretora do Instituto de Letras da UnB, entre 1993 e 1997. Paralelamente fui orientando cerca de duas dezenas de dissertações de mestrado e concluí a primeira orientação de doutorado, de Cibele Brandão de Oliveira. Ao término desse período, aposentei-me e reingressei na carreira docente, mas aí já como professora da Faculdade de Educação, onde lidero uma linha de pesquisa “Letramento e Formação de Professores”. Nessa linha de pesquisa há mais de uma dezena de mestrados e doutorados em andamento, além de oito dissertações de mestrado já defendidas.
Integrei, ainda, com Lúcia Lobato, de saudosa memória, e outras colegas da UnB, a diretoria da ABRALIN, no período de 2003 a 2005. Nos impedimentos de Lúcia, em decorrência de seu estado de saúde, exerci a presidência da Associação, por cerca de um ano e meio.

O trabalho com a formação de professores como agentes de letramento tem sido muito gratificante. A partir de 1998, participei de diversos projetos de educação continuada: Pedagogia para Início de Escolarização , o PIE, uma parceria da UnB e da Secretaria de Educação do DF; o PRALER, projeto custeado pelo Banco Mundial e desenvolvido pelo Fundescola/MEC; a Rede Nacional de Formação Continuada de Professores de Educação Básica e o Pró-Letramento. Esses dois últimos, uma iniciativa da Secretaria de Educação Básica do MEC, em parceria com universidades, entre as quais a UnB. No âmbito desses projetos, como coordenadora de alguns deles e autora, tive oportunidade de elaborar muitos textos dirigidos diretamente a professores, na sua condição de agentes de letramento. Meus dois livros publicados pela Parábola, em 2004 e 2005, e que aparecem nesta página, também representam uma contribuição da Sociolingüística à formação de agentes de letramento, especialmente nas séries iniciais do Ensino Fundamental .

Fazer uma transição da teoria sociolingüística para a área aplicada de formação de professores foi uma decisão muito consciente para mim. Tenho a mais completa convicção de que é um dever de todo brasileiro letrado, mais ainda daqueles que tiveram a oportunidade de concluir uma pós-graduação, empenhar-se com todo o vigor para que os índices vergonhosos de analfabetismo funcional neste país _ 76 % dos adultos entre 15 e 64 anos _ venham a diminuir, num futuro próximo. É com esse propósito que criei esta página à qual você é muito bem-vindo ( ou bem-vinda ) Volte sempre. Abraços, Stella Maris

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