O Toque que Não Toca

Entre os dedos há um espaço. Nunca houve toque absoluto. Nem na arte, nem na ciência. Quando encostamos algo, não há fusão de matéria —há forças invisíveis se repelindo, há energia mantendo distância, há um encontro que acontece sem colisão. Talvez Michelangelo soubesse mais do que imaginamos. Em A Criação de Adão, Deus não toca o homem. Há um Intervalo . Um sopro. Uma tensão silenciosa.

E é nesse quase —nesse instante suspenso —que a vida nasce. O dedo de Deus não precisa pressionar. Sua força não exige contato. Ele alcança sem invadir, cria sem esmagar, ama sem impor. Se até a física diz que o toque é uma dança de forças invisíveis, quem somos nós para exigir de Deus proximidade material? Talvez o sagrado aconteça justamente no espaço entre. No vazio que parece ausência, mas é potência. Entre os dedos há distância. Mas na distância há energia. E na energia, há vida."

A ideia de toque invisível parte desse princípio:

"É impossível "tocar" fisicamente em algo, no sentido de colocar os núcleos atômicos de dois objetos no mesmo lugar, porque a matéria é governada pela repulsão eletrostática e não pela força nuclear forte no momento do toque. O que percebemos como "toque" é, na verdade, a energia repulsiva das nuvens eletrônicas dos átomos se repelindo".

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