Claudio de Moura Castro, em texto desta semana, sugere que mudanças na natureza do vestibular poderão  alterar o currículo e a filosofia vigentes no ensino médio, no Brasil, a custo muito baixo.  Se o vestibular das principais universidades passar a privilegiar o domínio de competências mínimas, em vez de cobrar a miríade de informações de todas as áreas, o ensino médio , que  vive de olho nos exames vestibulares, tenderá a um currículo menos enciclopédico, possibilitando aos   alunos fazer  suas escolhas de disciplinas  em função da carreira que vão seguir.

Concordo com ele.  O vestibular _ bem como os  demais exames de sistema de avaliação de larga escala _ tem esse condão de influir nos currículos . Acontece com a Provinha Brasil, a Prova Brasil, o Enem, o Pisa e os vestibulares.

Ao longo de minha carreira de professora, convivi muito com estes últimos. O meu próprio foi na Universidade do Brasil, exatamente na transição para a denominação UFRJ. Fiz vestibular para Letras e a prova foi uma tradução de  “De bello gallico” de César e duas redações : uma em inglês e outra em português.  Tudo escrito em papel almaço.

Já na UnB, tive oportunidade de influenciar nas provas do vestibular , para evitar o excesso de cobrança de meras informações memorizadas, uma pura decoreba.  De modo geral, esses exames  melhoraram, influenciados, quero crer,  pelo Pisa e outros testes internacionais. Há muitos semestres não tenho tido paciência de acompanhar o Enem de perto, mas sei que a técnica de elaboração das questões evoluiu bastante. E isso acaba por ter um efeito reverso na orientação pedagógica das escolas. Talvez o mais fecundo desses efeitos venha sendo o da Provinha Brasil, que repercute diretamente nas séries de alfabetização. Esperemos que também o ensino médio possa beneficiar-se.

Brasília, 1º. De junho de 20015

 

 

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