O “Tempo e o vento” é uma saga maravilhosa dos brasileiros da fronteira sul. É a obra prima de Érico Veríssimo.  Não temos muitos romances históricos, que aprecio muito,  pois são muito reveladores da nossa verdadeira identidade. Os meus dois favoritos são esse de Érico Veríssimo e “Viva o povo brasileiro” de João Ubaldo Ribeiro, também escrito no século XX, algumas décadas depois do romance de Veríssimo.

Não é a primeira vez que adaptam “O tempo e o vento” para a televisão. No momento,  temos uma minissérie em três episódios, versão ampliada do  filme de Jayme Monjardim.  Apesar de estar muito resumida, vale a pena rever a história. Muito criativa a forma encontrada para  condensá-la.  Todos os antecedentes formativos do clã  são narrados em flashback por Bibiana (Fernanda Montenegro)  já anciã que,  em seus delírios causados pela febre e pela senilidade, conversa com seu amado  Capitão Rodrigo (Tiago Lacerda, gloriosamente lindo, como também esteve lindo, na versão anterior, Tarcísio Meira).  Enquanto conversam,  o Sobrado (contexto e personagem na narrativa) está cercado pelos combatentes das duas famílias, duas facções políticas de Santa Fé, que estão ‘peleando’. De fato, durante os quase dois  séculos que a histórica recobre, os homens lutam incessantemente,   o vento não para de soprar e as mulheres não se cansam de esperar.

 

Vale a pena ver. A produção está esmerada, com uma  fotografia digna de obras cinematográficas de respeito, e um elenco  brilhante. Hoje vai ao ar o último capítulo. (Rede Globo, 10:30)

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