Manicure que escreve de trás para frente desde criança supera preconceitoGoiana supera preconceito devido à escrita invertida, que pode ser sintoma de dislexia, passa na prova didática do Detran e sonha com emprego de carteira assinada


Mara Puljiz

Publicação: 12/04/2012 08:00Atualização: 12/04/2012 15:37

 


Glestânia Oliveira lê histórias para o filhos e ensina-lhes tabuada, mas tem dificuldade com a escrita: o texto é treinado na Educação de Jovens e Adultos

Debaixo de um pé de manga, durante uma brincadeira em Souzalândia, no interior de Goiás, Glestânia Aparecida da Silva Oliveira, então com 8 anos, percebeu algo diferente no modo como ela escrevia as palavras. Em um dos momentos de diversão, pegou um lápis e uma folha de papel e escreveu o primeiro nome. Diferentemente dos colegas da roda, ela fez isso de trás para frente, começando pelo A, última letra do nome. “Você escreve errado ou está fazendo isso porque quer?”, estranhou uma criança. Desde então, a vida de Gleice, como é chamada, nunca mais foi a mesma.

Depois de observar a escrita dos irmãos, a menina passou a se preocupar com o futuro. “Não sabia como eu faria para aprender as matérias quando eu me matriculasse na escola”, contou. Quatro anos depois, aos 12, Gleice ainda não conhecia uma sala de aula em razão de não ter o registro de nascimento. “Nessa época, meu pai vendia vassouras para uma diretora no centro da cidade e então ela deixou eu estudar lá”, contou. No colégio, aprendeu a ler corretamente, mas não conseguia acompanhar o ritmo dos colegas. “A professora passava o texto no quadro e eu tinha que esperar ela terminar de escrever para eu começar. É assim até hoje”, explicou.



Veja vídeo que mostra a habilidade de Glestânia
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