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Nesta aula vamos refletir sobre duas produções de alunos do ensino médio sobre o filme brasileiro “O filme da minha vida”.

É um filme de drama, romance e comédia lançado em 2017, dirigido pelo ator e diretor Selton Mello, com produção de Vânia Catani, Leonardo Eddeo e Laise Nascimento.

Texto 1:

“Toni, um jovem professor de Francês, decide votar (sic) para sua cidade natal, em Remanso na Serra Gaúcha. E ao chegar descobre que seu pai havia votado (sic) para a França dizendo sentir falta dos amigos e do país de origem.

Como todo jovem, além da vida conturbada com o desaparecimento repentino de seu pai, ele tem que seguir a vida junto com a tristesa (sic) de sua mãe com o ocorrido. Logo após esse episódio ele resolve levar ao cinema a garota que ele ama, (sic) ao final do filme que saíram do cinema Toni da (sic) de cara com seu pai, que havia sumido há alguns anos. Muito bravo, pergunta o porque (sic) de tudo aquilo, e ele o (sic) respondeu dizendo que havia engravidado uma jovem e não queria trazer desgosto e vergonha para sua esposa, assim decidindo trabalhar na cidade e cuidar do filho.

É um filme bastante complexo e interessante, exige bastante atenção do público, recomendo.”

A ortografia do Português e das línguas em geral é produto de convenções elaboradas quando o sistema de escrita da língua vai sendo desenvolvido. São poucas as línguas contemporâneas que não desenvolveram convenções de escrita. Essas convenções vão sendo adquiridas pelo usuário ao longo da escolarização.

Os chamados erros de ortografia são, pois, de menor relevância. Apenas indicam falhas no processo de aquisição das referidas convenções. Quando o usuário está redigindo um texto em sistemas computadorizados vai ter acesso automático a correções ortográficas. No entanto, se estiver escrevendo à mão, vai necessitar mais domínio das convenções da escrita. É preciso observar, também que erros ortográficos são muito estigmatizados na nossa sociedade.

No texto há problemas ortográficos que devem merecer trabalho sistemático em sala de aula, mas é preciso observar que a ortografia é bastante infensa a sistematizações. O que se segue são tentativas de produzir sistematizações dessa natureza.

Observe-se que, já no primeiro parágrafo, o ditongo /ou/ escrito “ou” ou “ol”, embora pronunciado, não foi registrado ortograficamente (voltar e voltado). No entanto, o ditongo com a vogal /ɔ/, como em “resolve”, no segundo parágrafo, foi devidamente redigido. Podemos antecipar que esse ditongo (sol, anzol, reinol) represente uma dificuldade ortográfica menor que os ditongos /ou/ ou /ol/. Os professores devem observar, também, se o /l/ em final de sílaba tônica, como nos exemplos acima, tenderá a ser mais representado na escrita que o mesmo fonema em final de sílaba átona. Comparemos os seguintes conjuntos para verificar se é possível uma previsão dessa natureza:

            Átono: solteiro, colchão, moldura, soltura, folgado, soldado.

            Tônico: insulto, vulto, molde, revolto.

Em suma, foi sugerido, primeiro, que o ditongo /ou/ redigido com a letra “u” apareça menos na escrita escolar que o mesmo ditongo redigido com a letra “l”. Em seguida foi sugerido que a vogal /ɔ/ seguida por /l/ será grafada com mais frequência que a vogal /o/ seguida por essa consoante. Essas sistematizações, contudo, carecem de confirmação empírica.

A palavra “tristeza” foi redigida com “s”. É uma boa oportunidade para trabalhar-se com o sufixo –eza (beleza, esperteza, malvadeza) que forma substantivos a partir de adjetivos, distinguindo-o da formação do feminino em palavras masculinas terminadas em –es (freguesa, portuguesa, duquesa).

A forma verbal “dá” apareceu, no texto, sem o acento agudo. Aproveite-se a oportunidade para mostrar aos alunos a diferença entre o monossílabo átono “da”, que resulta da contração da preposição “de” e do artigo “a” e a forma verbal do verbo “dar”, usada no texto, que é um monossílabo tônico. A tonicidade em casos como esse não é facilmente percebida pelos falantes. Precisa ser discutida em sala de aula.

Ainda no segundo parágrafo, foi chamada a atenção para o substantivo “porquê”, que é uma palavra oxítona terminada em /e/, omo em “você” e “cortês”. Nesses casos, a sílaba fechada ou não pelo /s/ será sempre acentuada.

Uma questão de sintaxe que o texto suscita é a regência do verbo “responder”, usado pelo aluno como transitivo direto. As gramáticas ensinam que o objeto da resposta não é precedido de preposição, que é empregada, todavia, introduzindo o interlocutor. Exemplo: ela respondeu [tolices] [ao pai]. No exemplo, “tolices” é objeto direto; “ao pai” é objeto indireto.

O autor do texto escreveu “... e ele o respondeu”. Foi preciso mostrar-lhe que o pronome previsto no caso é “lhe”: “e ele lhe respondeu”. Esse é um bom momento para voltarmos aos pronomes oblíquos em sala de aula, tema que requer muita atenção.

Texto 2:

“Um filme feito em terras brasileiras e com uma história linda. Para aqueles que amam filmes de drama, este filme é uma ótima recomendação. O filme, como o título já diz, é sobre a vida de um homem de 20 anos chamado Antonio (sic).

O filme vai retratar também a infância de Antônio até os dias atuais. Antonio (sic) tem uma grande paixão por uma amiga sua mas vai ter uma surpresa mais a (sic) frente. Quando Antonio (sic) ainda era um menino, seu pai o deixou com sua mãe (sic) viajou para algum (sic) longe de lá, mas o que ele não sabia era que seu pai estava longe, mas perto ao mesmo tempo, Pois (sic) o pai tinha ido para uma cidade ao lado, estar mais perto do filho e da esposa.

Antonio (sic) descobre muitas (sic), descobriu que seu pai mandou cartas para ele mas nunca chegou a recebê-las, descobriu também que iria ter um irmão, mas não de sua mãe e sim de outra mulher, que é ninguém mais ninguém menos que a irmã da mulher pelo (sic) qual está apaixonado.

O filme tem um ar misterioso com um pouco de drama no final, por isso recomendo para aqueles que gostam de um bom filme de drama.”

Há pequenos problemas ortográficos, como em “Antônio”, e de elisão de palavras, como em “... viajou algum (sic) longe de lá”.

Esse texto dá oportunidade de se trabalhar com sequências anafóricas pois o nome “Antônio” é muito repetido e poderia ser substituído por pronomes.

Vejamos sua estrutura narrativa.

Brasília, Setembro de 2017.

 

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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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