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Neste Papo veremos resenhas feitas por dois alunos, um do ensino médio e outro na segunda etapa do ensino fundamental.

A motivação para seu texto foi o filme “Logan”, que eles assistiram no cinema. O personagem é baseado no comics X-men, da Marvel. O filme foi dirigido por James Mangold e o personagem principal, o Wolverine, interpretado pelo ator australiano Hugh Jackman.

Texto 1:

“’Logan’ é um filme de ação que conta a história de Wolverine, ou Logan.

No ano 2029, os mutantes estão à beira da extinção, sem novos mutantes terem nascido em 25 anos. Logan, envelheceu (sic) muito porque o adamantium fundido aos seus ossos está envenenando-o agora e impedindo (sic) de se curar.

Ele passa os seus dias trabalhando como motorista. Ele e o mutante albino Caliban vivem em uma fábrica abandonada na fronteira do México, onde cuidam do professor Charlies (sic) Chavier (sic), que sofre de uma doença que o faz perder o controle de suas habilidades telepáticas.

Logan conhece uma enfermeira chamada Gabriela que pede para escolta-lá (sic) e uma menina de 11 anos de idade, Laura, para um lugar em Dakota do Norte chamado Éden.

Depois de aceitar o trabalho para Gabriela, Logan descobre que ela foi assassinada. Ele, Charlie (sic) e Laura escapam por pouco de seus assassinos, mas Caliban é capturado e torturado para forçá-lo a usar seus poderes para rastreá-los.

Charlie (sic) morre por um clone de Logan feito por assassinos que estão querendo matar não só Logan e Laura mas querem as crianças que estão com eles. Logan consegue matar todos mas é morto por seu clone, e Laura e as crianças mutantes, após enterrarem Logan, vão embora atrás de uma nova vida.”

Texto 2:

“Um filme baseados nos filmes e desenhos de Wolverine (sic), conta a história de Logan, que desde criança tem sido um mutação (sic), pois possuía garras em suas mãos.

Logan teve uma descoberta um tanto inesperada, pois soube que tinha uma filha mutante como ele e teria que protegê-la contra inimigos que queriam matá-la.

Ele saiu de casa após seus amigo albino ser sequestrado. Logan levou seu pai e sua filha para longe de onde eles viviam. Após uma longa viagem de carro, um outro carro saiu da pista e pararam (sic) para ajudar. Eles se hospedaram na casa da família que eles tinham ajudado. Mas os inimigos de Logan descobriram aonde eles estavam e foram até lá, mas não foram despreparados.

Logan quase morreu por um mutante igual a ele, só que mais forte. Como conseguiu escapar dos inimigos, Logan e a menina fugiram para um refúgio de outras crianças mutantes.

Logan morreu para proteger as crianças e sua filha. As crianças continuaram sua viajem (sic) ao Paraíso, pois elas acreditavam ser um lugar segura para elas.”

Ambos os textos reproduzem a sequência narrativa e os personagens com fidelidade.

Com relação ao primeiro texto, foi esclarecida a grafia de “Charles Xavier” e discutida a conveniência de se repetir o pronome obliquo* “o” em “... impedindo (sic) de se curar.” para maior clareza. Como já temos dito em outros Papos, toda oportunidade de se usar os pronomes oblíquos* é bem-vinda para ampliar a familiaridade dos alunos com eles.

Já em relação ao segundo texto,  foi oportuno chamar a atenção para a grafia do verbo “viajar” e do substantivo “viagem”. Professora e alunos se detiveram encontrando outros substantivos terminados com o mesmo sufixo* “-agem”: viagem, pastagem, folhagem, aprendizagem, vadiagem etc... Foi discutido também que a sequência “Após uma longa viagem de carro, um outro carro saiu da pista e pararam para ajudar.” ficaria mais clara se antes do verbo* “pararam” fossem mencionados Logan e seus companheiros: Após uma longa viagem de carro, um outro carro saiu da pista e Logan e seus companheiros pararam para ajudar.

A questão que suscitou a discussão mais longa durante a aula foi o uso de vírgulas, razoavelmente bem usadas nos textos. Em ambos, todavia, foi usada vírgula após o sujeito* em algumas orações, separando-o do predicado*.

A proibição pela gramática normativa de vírgula isolando o sujeito* é rigorosa.

Cumpria discutir essa regra, mas a Professora não desejava recorrer a informações sintáticas que ainda não estão incorporadas ao conhecimento metalinguístico dos alunos. Mesmo evitando a terminologia, era preciso, entretanto, deixar clara a noção de sujeito, o que foi feito de forma intuitiva, como segue.

__ Sempre que vamos falar de alguma coisa, o nome dessa coisa aparece na nossa fala. Por exemplo, se queremos falar da chuva, esse substantivo* que designa “chuva” vai ser mencionado: “A chuva no mês de agosto é bem rara em Brasília.” Se mencionarmos somente o nome, nosso interlocutor não vai entender a mensagem. Vejam os exemplos nestes diálogos:

1) Primeiro falante: mês de dezembro.

     Segundo falante: que que tem o mês de dezembro?

2) Primeiro falante: a filha mais jovem.

     Segundo falante: que que tem a filha mais jovem?

3) Primeiro falante: a Amazônia.

     Segundo falante: que que tem a Amazônia?

__ Cada um de vocês agora volte-se para o seu colega ao lado e mencione um nome, pode ser um substantivo comum* ou próprio*, pode ser formado de uma só palavra ou de mais palavras.

__ Você aqui na minha frente, qual nome você usou?

__ Férias, Professora.

__ E o que o seu colega perguntou?

__ Que que tem as férias?

__ Aí você disse o quê?

__ Eu disse que as férias começam em dezembro.

__ Muito bem, é assim que a gente se comunica.

Apresentamos um tópico*, geralmente um nome, e depois dizemos alguma coisa sobre esse nome. A gramática chama esse tópico de sujeito* e o que falamos sobre ele é chamado predicado*.

__ Olhem no dicionário o que quer dizer “predicar”.

Um aluno encontra o verbete e diz:

Na frase: “Antônio comeu a maçã”, comeu a maçã predica Antônio (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).

__ “Predica Antônio” é o mesmo que dizer declara alguma coisa sobre Antônio.

Dirigindo-se a um dos alunos:

__ Na sua frase “As férias começam em dezembro”, “começam em dezembro” está predicando férias, que é o tópico ou o sujeito. Vocês estão vendo que sujeito* e  predicado* formam uma sequência natural na comunicação. Agora vejam aqui: “Logan, envelheceu muito...”. Nessa frase “Logan” é o sujeito que está sendo predicado por “envelheceu muito”. Então não vamos colocar uma vírgula entre o sujeito* e seu predicado*. Eu agora vou mencionar alguns nomes e vocês vão criar um predicado para cada um deles:

            1) Livro de matemática. Como vocês vão predicar esse nome?

__ O livro de matemática custa muito caro.

__ Pois é, “custa muito caro” está predicando o nome “livro de matemática”.

            2) Enem.

__ O Enem será realizado em novembro.

__ Ótimo, “será realizado em novembro” está predicando “o Enem”.

            3) Quadro de giz.

__ O quadro de giz me dá alergia.

__ Que ótimo exemplo. “me dá alergia” está predicando “o quadro de giz”.

__ Toda frase tem um sujeito* e um predicado* e vocês têm de ficar atentos para não colocar vírgula entre esses dois termos da oração*. Na frase “eles se hospedaram na casa da família que eles tinham ajudado.”, procurem o primeiro verbo*.

__ “se hospedaram”, Professora.

__ Vocês estão muito espertos. Quem esse verbo* está predicando? Quem se hospedou?

__ “eles”.

__ Então o predicado* refere-se ao sujeito “eles”. Cada vez que vocês usarem um verbo na fala ou na escrita, pensem no sujeito desse verbo. É só perguntar: o que ou quem esse verbo está predicando? Na frase “Logan quase morreu por um mutante igual a ele só que mais forte.” Onde é que não podemos pôr vírgula? Acharam o sujeito?

__ É “Logan”, não é?

__ E o que está sendo predicado sobre “Logan”?

__ Que ele “quase morreu”.

__ Então depois de “Logan” não podemos usar vírgula. Vejam mais um exemplo: “As crianças continuaram sua viagem ao Paraíso”. Sublinhem o sujeito* e depois coloquem entre colchetes o predicado* desse sujeito*.

            As crianças [continuaram sua viagem ao Paraíso]”

__ Que que têm as crianças?

__ “continuaram sua viagem ao Paraíso”.

__ É isso, “continuaram sua viagem ao Paraíso” está predicando o sujeito* “crianças”.

__ Na próxima aula vamos voltar a conversar sobre sujeito* e predicado*. Até lá pensem bastante nisso.

Brasília, Abril de 2017.

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Nasci no remoto ano de 1945, em São Lourenço, encantadora estação de águas no sul de Minas, aonde Manuel Bandeira e outros doentes iam veranear em busca dos bons ares e águas minerais, que lhes pudessem restituir a saúde.

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